Quando o cenário é comparado ao mesmo mês do ano anterior, o avanço foi mais tímido, de apenas zero vírgula um por cento, o que manteve o acumulado do primeiro bimestre na casa das trezentas e cinquenta e cinco mil e setecentas unidades.
Esse desempenho de estabilidade reflete o atual momento de recuperação gradual do poder de compra interno, conforme apontou o balanço oficial divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores nesta sexta-feira.
O ritmo das linhas de montagem também acompanhou a alta mensal, registrando a saída de duzentas e quatro mil e trezentas novas unidades das fábricas em fevereiro, um salto robusto de quase vinte e cinco por cento em relação à produção de janeiro.
No entanto, o acumulado do ano aponta para um recuo de quase nove por cento frente ao primeiro bimestre do ano passado.
A entidade representativa do setor explica que essa distorção estatística ocorre porque, em dois mil e vinte e cinco, o feriado de Carnaval foi celebrado no mês de março, o que garantiu um mês de fevereiro com mais dias úteis de trabalho.
Além do fator calendário, o bom ritmo do mercado nacional não foi suficiente para blindar as fábricas da forte retração nas exportações, que despencaram vinte e oito por cento no bimestre e ligaram o sinal de alerta nas diretorias das montadoras.
A liderança da associação demonstrou particular preocupação com a expressiva queda nos embarques destinados à Argentina, um parceiro comercial histórico que havia sido a principal âncora para sustentar os resultados positivos do ano anterior.
Em contrapartida aos desafios externos na América do Sul, o mercado de veículos eletrificados segue quebrando barreiras e reescrevendo a história da indústria no país.
Mais de vinte e oito mil unidades híbridas e elétricas puras foram emplacadas apenas em fevereiro, abocanhando quase dezesseis por cento de todo o volume de vendas.
O grande marco técnico desse segmento foi o fato de a indústria nacional ter sido responsável pela produção de quarenta e três por cento dessa frota sustentável, o maior índice de nacionalização já apurado pela Anfavea.
Mesmo monitorando de perto os possíveis impactos macroeconômicos e logísticos gerados pela recente guerra no Oriente Médio, os executivos do setor reafirmaram a resiliência inabalável da cadeia automotiva brasileira e a manutenção firme dos pesados investimentos em novas tecnologias projetados para esta década.




