PRF multa quase 280 motoristas por dia por descumprimento da Lei do Descanso

Foto: Divulgação/PRF
Foto: Divulgação/PRF

Nos primeiros seis meses de 2026, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou uma média alarmante de autuações a motoristas que descumpriram a Lei do Descanso nas rodovias federais do Brasil.

Embora o total de multas tenha caído 12,5% em comparação ao mesmo período de 2025, passando de 57.738 para 50.484 flagrantes, esse recuo esconde uma realidade preocupante.

A quantidade de operações de fiscalização sofreu uma redução ainda maior, de 19,14%.

Consequentemente, a taxa de infrações encontradas a cada abordagem policial efetivamente aumentou, revelando que há mais motoristas dirigindo exaustos e além do limite legal de horas ao volante do que antes.

Um dos principais motores dessa crise é a grave falta de infraestrutura de apoio nas rodovias brasileiras.

Com uma malha viária federal que ultrapassa 75 mil quilômetros, o país oferece apenas 139 Pontos de Parada e Descanso certificados.

Essa escassez coloca os condutores em uma encruzilhada perigosa: parar no acostamento de rodovias escuras e desertas, sob constante risco de roubo, ou continuar a viagem mesmo sob fadiga extrema para não comprometer a segurança da carga ou os rigorosos prazos de entrega.

O impacto da privação de sono na condução de veículos pesados, como caminhões e ônibus, é devastador e frequentemente comparado aos efeitos do consumo de álcool.

Especialistas em segurança viária alertam que o cansaço destrói a capacidade de julgamento, distorce a percepção de risco e eleva a impulsividade.

Um cérebro exausto pode sofrer apagões perigosos, como o microssono, onde o motorista chega a dormir de olhos abertos por alguns segundos, e a “hipnose da estrada”, um estado dissociativo em que o condutor executa ações no modo automático sem que a mente processe os perigos da pista, multiplicando exponencialmente o risco de tragédias.

O retrato nacional das infrações espelha a geografia da pressão logística no Brasil, com Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso liderando o ranking.

Enquanto Bahia e Minas representam rotas de trânsito obrigatório e desgastante entre as regiões Sul, Sudeste e Nordeste, o Mato Grosso sofre com a pressão do escoamento de safras do agronegócio.

Para tentar conter essa violência silenciosa, a Lei do Descanso estipula pausas de 30 minutos a cada cinco horas e meia de direção, além de 11 horas de repouso a cada 24 horas.

O controle desse tempo, no entanto, depende muitas vezes do registro do próprio motorista, tornando a combinação entre fiscalização efetiva e infraestrutura segura requisitos vitais para salvar vidas no trânsito.

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