Em meio à Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, um novo estudo do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) trouxe um alerta preocupante: o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024.
Este número assinala o quinto aumento anual consecutivo e representa a maior elevação percentual (6,5%) dos últimos 22 anos, devolvendo o país ao maior patamar de fatalidades registrado desde 2016.
Os dados foram compilados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DATASUS.
Os motociclistas continuam sendo o grupo mais atingido pela violência viária, respondendo por cerca de 42% de todas as vítimas fatais. Foram 15.459 óbitos no ano, um salto de 14,7% em relação a 2023.
O cenário é especialmente alarmante entre os homens que pilotam motos, que sozinhos representam 37,1% do total de mortes no trânsito brasileiro, reforçando a urgência de políticas públicas voltadas para essa categoria, amplamente dependente da moto como meio de deslocamento e ferramenta de trabalho.
Além das motocicletas, a análise identificou crescimentos expressivos nas mortes de ocupantes de caminhões (30,2%) e ônibus (28,3%).
A violência também avançou drasticamente sobre grupos vulneráveis: a mortalidade de crianças de 0 a 9 anos cresceu 10,5% — com um destaque assustador de 17% entre bebês menores de 1 ano —, enquanto os óbitos de idosos acima de 60 anos subiram 8,6%, evidenciando a fragilidade das calçadas, travessias e sistemas de retenção veicular.
Regionalmente, a alta nas estatísticas atingiu quase todo o território nacional. A região Norte liderou o aumento de fatalidades (15,7%), seguida pelo Nordeste (11,6%).
Entre os estados, o Acre teve a maior escalada, com mais de 52% de aumento.
Como contraponto, o Sudeste foi a única região a apresentar redução (0,8%), impulsionada por quedas expressivas no Rio de Janeiro (-35%), enquanto o Distrito Federal manteve seus índices estáveis.
O levantamento deixa claro que reverter essa crise estrutural exige infraestrutura viária segura, fiscalização contínua e medidas que vão muito além de campanhas de conscientização temporárias.






