A Deutsche Lufthansa AG confirmou nesta terça-feira que exercerá sua opção de compra para adquirir mais 49% da ITA Airways, elevando sua participação acionária na empresa de 41% para 90%.
O negócio, avaliado em € 325 milhões, foi anunciado pelo CEO do grupo, Carsten Spohr, durante a Assembleia Geral Anual da companhia.
Com a transação, a integração total da companhia aérea italiana ao Grupo Lufthansa (financeira e organizacionalmente) está prevista para o início de 2027, restando apenas o aval de órgãos reguladores da Comissão Europeia e dos Estados Unidos.
A conclusão deste acordo sinaliza a estabilização de um setor que enfrentou décadas de turbulência na Itália.
A ITA Airways, criada em 2021 para substituir a historicamente deficitária Alitalia, consolida-se agora como a quinta companhia da malha da Lufthansa, operando a partir dos centros de Roma e Milão.
O Ministério da Economia e Finanças (MEF) da Itália manterá, por enquanto, os 10% restantes, fatia que poderá ser arrematada pela gigante alemã a partir de 2028, podendo elevar o investimento total para € 829 milhões.
A compra quase integral da ITA Airways pela Lufthansa ilustra de forma clara a intensa tendência de consolidação do mercado da aviação europeia.
Diferente de outras regiões do mundo, a Europa operou durante muito tempo com dezenas de companhias aéreas “de bandeira” (geralmente estatais e ligadas ao orgulho nacional de cada país).
No entanto, os altos custos operacionais, as crises globais e a concorrência esmagadora das empresas low-cost (de baixo custo) tornaram o modelo de companhias nacionais isoladas financeiramente insustentável, sendo o colapso da antiga Alitalia o maior símbolo dessa crise.
Para sobreviver e lucrar, as gigantes da aviação (como os grupos Lufthansa, Air France-KLM e IAG) adotaram a estratégia de aglutinação.
Ao absorver a ITA, a Lufthansa não está apenas comprando 99 aeronaves; ela está “comprando” o mercado do Sul da Europa, eliminando concorrência direta e garantindo o domínio sobre rotas turísticas e corporativas altamente lucrativas na Itália.
Essa integração permite que o grupo centralize a manutenção, unifique sistemas de milhagem, aumente o poder de barganha na compra de combustível e coordene horários de voos para que as companhias do grupo alimentem os hubs (centros de conexão) umas das outras, em vez de competirem entre si.




