A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento quase total do Estreito de Ormuz estão provocando uma forte onda de cancelamentos de voos e aumentos de preços no setor aéreo global.
A United Airlines, por exemplo, anunciou que elevará as tarifas de verão entre 15% e 20% e reduziu sua previsão de lucro anual.
A empresa já cortou cerca de 5% de sua programação para os próximos meses, antecipando que o preço médio do galão do querosene de aviação atinja patamares ainda mais críticos no segundo trimestre.
Na Europa, o impacto operacional é imediato e severo.
A Lufthansa confirmou o corte de 20 mil voos de curta distância previstos para o verão europeu, classificando essas rotas como financeiramente inviáveis devido aos custos, e optou por priorizar a manutenção de seus voos de longa distância.
Outras companhias estão adotando medidas drásticas semelhantes: a KLM cancelou 160 voos intra-europeus, a SAS suprimiu mil decolagens apenas no mês de abril, e a Air Canada declarou a inviabilidade econômica de diversas rotas.
A crise avança também pelo mercado asiático e americano, com a Cathay Pacific cortando parte de sua malha de passageiros e suspendendo operações para Dubai e Riad, enquanto a Alaska Airlines precisou retirar completamente suas projeções financeiras para o ano.
O pano de fundo dessa reestruturação emergencial é o rápido esgotamento das reservas energéticas.
A Agência Internacional de Energia emitiu um alerta alertando que a Europa possui, no momento, apenas cerca de seis semanas de querosene de aviação estocado.
Os preços da commodity dobraram desde o final de fevereiro, e especialistas em economia e energia avaliam que a escassez física de combustível forçará o setor a realizar reduções ainda mais profundas na malha aérea de todo o continente a partir dos meses de maio e junho.
A perspectiva de normalização a curto prazo é considerada mínima.
Mesmo com o frágil cessar-fogo anunciado na região do conflito, o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz responsável pelo escoamento de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, permanece muito abaixo dos níveis normais.
Como o ciclo logístico de transporte em navios-tanque do Golfo Pérsico para a Europa leva em média seis semanas, analistas do setor logístico estimam que qualquer recuperação real no abastecimento só começará a ser sentida a partir de julho, num cenário otimista.
Isso coloca em risco direto as viagens de milhões de passageiros durante a alta temporada de verão no hemisfério norte.




