Uma comissária de bordo da companhia aérea KLM foi internada e colocada em isolamento no Amsterdam UMC nesta quinta-feira (7) após apresentar sintomas leves de Hantavírus.
A profissional teve contato direto com uma passageira infectada que embarcou no voo KL-592 em Joanesburgo, mas que precisou ser retirada da aeronave antes da decolagem devido ao agravamento de seu estado de saúde.
A passageira, de nacionalidade holandesa, faleceu no dia seguinte, e exames posteriores confirmaram a infecção pela perigosa cepa Andes.
O surto, que teve origem no navio de cruzeiro MV Hondius, está gerando um alerta global devido às características específicas desta variante.
Diferente da maioria dos hantavírus, a cepa Andes possui a capacidade de transmissão entre humanos, o que levou as autoridades holandesas e a KLM a rastrearem urgentemente todos os passageiros e tripulantes do voo em questão.
Até o momento, cinco casos foram confirmados na Holanda, enquanto outros pacientes seguem sob tratamento e observação em Cingapura, Suíça e África do Sul.
Apesar da gravidade do vírus Andes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o risco geral para a saúde pública permanece baixo, uma vez que o surto parece estar contido a um grupo específico de pessoas ligadas ao navio.
O MV Hondius segue em direção às Ilhas Canárias, onde está prevista uma evacuação completa de seus 147 ocupantes no dia 9 de maio.
O Hantavírus é uma doença viral geralmente transmitida aos seres humanos através da inalação de aerossóis provenientes de excrementos (urina, fezes ou saliva) de roedores silvestres infectados.
Na maioria dos casos, o vírus causa a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), uma condição grave que evolui rapidamente para insuficiência respiratória.
No entanto, o que torna o cenário atual no navio Hondius excepcional e preocupante para a vigilância sanitária é a identificação do vírus Andes.
A cepa Andes é a única variante conhecida do hantavírus que pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
Isso ocorre através de contato próximo e prolongado ou fluidos corporais, o que explica por que uma comissária de bordo e outros passageiros que ajudaram a mulher enferma em Joanesburgo estão sob monitoramento rigoroso.
Essa característica transforma uma doença tipicamente rural e de contato com roedores em um risco epidemiológico de transporte e aglomeração urbana, exigindo protocolos de isolamento muito mais rígidos do que o padrão para outros tipos de hantavírus.












