Projetada historicamente para priorizar o uso de automóveis, Brasília enfrenta agora o desafio de adaptar sua infraestrutura a uma nova realidade: a crise climática. Segundo projeções da Universidade de Brasília (UnB), a temperatura média no Distrito Federal pode sofrer um aumento de até 6 ºC até o ano de 2070, transformando o planejamento da mobilidade urbana em uma questão ambiental urgente.
Especialistas apontam que a solução exige inverter a lógica atual de dependência do transporte individual. O caminho passa por investimentos expressivos em transporte público de qualidade e na integração de diferentes modais, permitindo que a população combine, por exemplo, o uso de bicicletas com sistemas de média e alta capacidade de forma ágil e limpa.
Além da frota de transporte, o próprio modelo de crescimento da capital precisa ser repensado. A principal recomendação é frear a expansão horizontal (o “espraiamento”) e apostar em um desenvolvimento urbano mais compacto.
Bairros que concentrem moradia, emprego e serviços essenciais reduzem a necessidade de deslocamentos longos diários. Soluções baseadas na natureza, como o aumento da arborização e infraestrutura verde para absorção de água das chuvas, também são fundamentais para conter alagamentos e ilhas de calor.
Em resposta ao cenário, o Governo do Distrito Federal (GDF) afirma que já atua para incorporar essas diretrizes em seus planos diretores. A promessa é focar em um modelo de cidade “policêntrica”, estimulando o crescimento em áreas já urbanizadas e ao longo dos grandes eixos de transporte coletivo.



