A partir desta sexta-feira (15), o Autódromo Internacional de Brasília expandiu seu uso esportivo e passou a receber corredores de rua semanalmente, sempre das 5h às 9h da manhã.
A iniciativa, que exige inscrição prévia e gratuita pela plataforma Sympla, reuniu mais de 800 interessados logo em sua edição inaugural.
O evento contou com a presença da governadora Celina Leão, que aproveitou a ocasião para ouvir as demandas das assessorias esportivas e garantiu a futura instalação de iluminação adequada e de banheiros definitivos no local.
A novidade foi amplamente celebrada pelos atletas amadores, que destacaram a segurança de treinar em um ambiente fechado e livre dos riscos do trânsito urbano, somando-se à já existente abertura do espaço para ciclistas, que ocorre às terças, quartas e quintas-feiras no mesmo horário.
A abertura do Autódromo de Brasília para a prática de esportes não motorizados ilustra um movimento profundo na dinâmica do urbanismo e da ocupação de megaestruturas viárias.
Brasília é uma cidade projetada fundamentalmente para a fluidez do automóvel e para o transporte de alta velocidade, o que frequentemente empurra corredores e ciclistas para uma convivência perigosa, desproporcional e fatal nas margens das rodovias e eixos da capital.
Ao transformar um templo histórico do automobilismo em um refúgio controlado para pedestres e ciclistas, o Estado otimiza a utilidade de um patrimônio público ocioso.
A estrutura oferece o que as ruas da cidade muitas vezes não conseguem: uma pista com asfalto de alta performance, topografia com variações de altimetria para treinos intensos e, acima de tudo, uma blindagem física contra colisões com veículos.
Essa política de uso misto não apenas democratiza o acesso a espaços de escala monumental, mas também soluciona um gargalo de saúde preventiva, garantindo que a prática do esporte de resistência ocorra sem que a integridade física do atleta seja colocada em risco pelo tráfego diário.




