O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta terça-feira, 15 de setembro, o tom contra o Brasil no combate ao crime organizado. Em uma determinação presidencial encaminhada ao Congresso norte-americano para o ano fiscal de 2027, Trump afirmou que o governo brasileiro “falhou” em enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e declarou que o país precisa adotar, com urgência, medidas mais agressivas contra as duas facções. O envio anual desse documento ao Congresso é previsto pela legislação dos Estados Unidos para avaliação da política internacional de combate às drogas.

No trecho dedicado ao Brasil, Trump afirma que PCC e CV teriam ajudado a transformar o país em um ponto relevante das rotas internacionais de cocaína. O texto sustenta ainda que as organizações representam uma ameaça crescente à segurança internacional e cobra do governo brasileiro medidas para “enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”. A crítica ocorre pouco mais de três meses depois de Washington ter oficialmente classificado PCC e Comando Vermelho como Foreign Terrorist Organizations, categoria prevista na legislação norte-americana para grupos considerados ameaça à segurança ou aos interesses dos Estados Unidos. A designação entrou em vigor em 5 de junho.
Há, porém, uma distinção jurídica importante. Apesar da dura censura feita por Trump ao governo brasileiro, o Brasil não aparece entre os 23 países formalmente identificados como grandes produtores ou corredores de drogas na lista do ano fiscal de 2027, segundo a documentação divulgada nesta quarta-feira. Também não integra o grupo de países classificados tecnicamente pela legislação norte-americana como tendo “falhado demonstravelmente” em suas obrigações antidrogas — categoria que, neste relatório, alcança Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia. A legislação dos EUA trata essa classificação formal separadamente de críticas políticas e diplomáticas incluídas no texto presidencial.
A manifestação representa mais um capítulo da divergência entre Washington e Brasília sobre o tratamento jurídico das grandes facções brasileiras. O governo brasileiro havia se posicionado contra a decisão norte-americana de enquadrar PCC e CV como organizações terroristas, enquanto a administração Trump passou a tratar os dois grupos dentro de sua estratégia internacional de combate ao narcoterrorismo. Agora, com a crítica registrada em documento presidencial enviado ao Congresso, o tema deixa de ser apenas uma divergência diplomática e passa a integrar formalmente a avaliação anual dos Estados Unidos sobre o combate global ao narcotráfico. Você quer que eu explique as possíveis consequências diplomáticas dessa crítica para a relação entre Brasil e Estados Unidos?




