A Ferrari apresentou a Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, abrindo uma nova fase na história da marca italiana. O modelo chega com promessa de desempenho extremo, interior voltado ao luxo e tecnologia, mas também com um ponto sensível: o desenho externo, que já virou alvo de críticas por fugir da imagem clássica, baixa e agressiva associada aos carros de Maranello.
O preço também reforça que a Ferrari não pretende disputar o mercado elétrico comum. Segundo informações publicadas pela Associated Press, o modelo terá valor próximo de 500 mil euros na Itália. O Wall Street Journal aponta cifra ainda maior, de cerca de 550 mil euros, equivalente a aproximadamente 640 mil dólares. Em conversão direta, sem impostos brasileiros, o valor ficaria na casa de vários milhões de reais. Ou seja: sustentável para o planeta, nem tanto para a conta bancária.
Na parte técnica, a Luce marca uma guinada importante. O modelo é descrito como o primeiro Ferrari totalmente elétrico, com quatro motores, tração integral, potência superior a 1.000 cavalos e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos. A autonomia informada passa de 530 quilômetros, dependendo do ciclo de medição, e a bateria de 122 kWh aparece como peça central da nova plataforma elétrica.
A própria Ferrari destaca a engenharia do projeto como um marco, incluindo o uso de 75% de alumínio reciclado no chassi. A proposta tenta unir desempenho, eficiência e sustentabilidade sem abandonar o discurso de exclusividade que sustenta a marca há décadas.
Mas é no design que a Luce virou assunto. Em vez das linhas tradicionais de cupês esportivos que ajudaram a construir o mito Ferrari, o novo elétrico adota proporções mais robustas, com aparência que alguns críticos classificaram como pesada e pouco emocional. Publicações especializadas registraram reações negativas nas redes e comparações irônicas com elétricos de marcas populares, algo incomum para um lançamento do cavallino rampante.
A escolha por uma linguagem visual diferente tem relação direta com a tentativa da Ferrari de criar uma identidade própria para sua fase elétrica. O projeto também aparece associado ao trabalho de design da LoveFrom, coletivo ligado ao ex-designer da Apple Jony Ive, o que reforça a intenção de aproximar o carro de uma estética mais tecnológica do que puramente esportiva.
A recepção do mercado, no entanto, não foi inteiramente confortável. Reportagens internacionais registraram queda nas ações da Ferrari após a apresentação, em meio a dúvidas sobre o preço, o desenho e o apetite dos compradores tradicionais da marca por um elétrico de produção tão caro.
A Luce, portanto, nasce como um carro simbólico: tecnicamente ambicioso, comercialmente ousado e visualmente polêmico. Para a Ferrari, é uma aposta no futuro elétrico sem abandonar o luxo extremo. Para os puristas, pode soar como uma ruptura indigesta. No fim, Maranello acendeu a luz — resta saber se os apaixonados pela marca vão enxergar brilho ou apenas um farol alto demais.
Acompanhe o DFMobilidade nas redes sociais e fique por dentro das principais notícias sobre mobilidade, política, economia e inovação.
Instagram: https://www.instagram.com/dfmobilidade
Facebook: https://www.facebook.com/dfmobilidade
X: https://x.com/dfmobilidade
Site: https://www.dfmobilidade.com.br




