US$ 100 milhões e Raul Castro na mira: EUA oferecem ajuda a Cuba enquanto ex-ditador pode responder por mortes de 1996
O governo Donald Trump elevou a pressão contra o regime cubano nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, ao oferecer US$ 100 milhões em ajuda humanitária direta à população da ilha e, ao mesmo tempo, preparar uma ofensiva jurídica contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e uma das figuras centrais da ditadura comunista instalada após a revolução de 1959.
Em vídeo gravado em espanhol e dirigido ao povo cubano, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington está disposto a fornecer alimentos e medicamentos, desde que a distribuição seja feita pela Igreja Católica ou por organizações humanitárias independentes. A condição imposta pelos americanos busca impedir que a ajuda passe pelo controle do regime de Havana. Segundo o Departamento de Estado, a oferta é de US$ 100 milhões em assistência direta aos cubanos, caso o governo permita a operação.
Rubio atribuiu a crise de energia, alimentos e combustíveis em Cuba à corrupção e ao controle econômico exercido pela cúpula do regime. Na mensagem, o secretário afirmou que os responsáveis pelo poder em Havana “saquearam bilhões de dólares”, enquanto a população enfrenta apagões, escassez e deterioração das condições de vida. Havana, como de costume, reagiu culpando as sanções americanas. A velha cartilha ideológica segue funcionando como guarda-chuva: cobre pouco, mas é usada para tudo.
A ofensiva política veio acompanhada de um movimento ainda mais duro. Registros judiciais nos Estados Unidos indicam que Raúl Castro, hoje com 94 anos, foi formalmente acusado por homicídio em um caso relacionado ao abate de aviões operados por exilados cubanos em 1996. O episódio envolveu aeronaves do grupo Irmãos ao Resgate, com base em Miami, que realizava missões ligadas à busca de cubanos que tentavam fugir da ilha pelo mar. Quatro pessoas morreram.
Na época, Raúl Castro era ministro da Defesa de Cuba. O governo cubano sempre alegou que os aviões teriam violado seu espaço aéreo. Já a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu posteriormente que o ataque ocorreu sobre águas internacionais. Essa divergência transformou o caso em um dos episódios mais sensíveis da relação entre Washington e Havana.
A eventual responsabilização criminal de Raúl Castro marca uma escalada sem precedentes contra o núcleo histórico do regime cubano. Embora a extradição seja considerada improvável, a medida tem forte peso simbólico e jurídico, especialmente para a comunidade cubano-americana da Flórida, que há décadas cobra punição pelo episódio de 1996.
O movimento também recoloca Cuba no centro da agenda externa dos Estados Unidos. Trump afirmou que pretende combater o que chama de “forças da ilegalidade, do crime e da influência estrangeira” no hemisfério ocidental. A fala reforça a linha dura adotada por Washington contra regimes aliados ou próximos de adversários estratégicos dos Estados Unidos.
Do lado cubano, o chanceler Bruno Rodríguez criticou Rubio e acusou os Estados Unidos de cinismo ao oferecer ajuda enquanto mantêm sanções econômicas contra a ilha. Ainda assim, segundo a Reuters, ele não descartou expressamente a aceitação da assistência humanitária.
O caso combina três frentes sensíveis: pressão diplomática, ajuda humanitária condicionada e responsabilização criminal de um dos últimos nomes vivos da velha guarda castrista. Para Cuba, é uma crise política com impacto internacional. Para os Estados Unidos, é uma tentativa de expor o regime diante da população cubana. Para Raúl Castro, pode ser o capítulo jurídico mais incômodo de uma biografia marcada pelo poder, pela repressão e por uma conta histórica que Washington agora parece disposto a cobrar.
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