Memorando assinado por Marco Rubio abre caminho para tecnologia, capacitação e empresas norte-americanas; impacto imediato sobre Itaipu é inexistente, mas o prejuízo geopolítico para Brasília já começou.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assinaram nesta terça-feira, 4 de agosto, um memorando estratégico de cooperação nuclear civil. O documento estabelece uma estrutura para intercâmbio técnico, segurança, formação de profissionais e desenvolvimento pacífico da energia nuclear. Não significa a construção imediata de uma usina, mas representa o primeiro passo para uma parceria de longo prazo, capaz de abrir o mercado paraguaio à tecnologia e aos fornecedores norte-americanos.
A aproximação não surgiu de improviso. Em abril, a Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai assinou um acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica para estudar pequenos reatores modulares, conhecidos como SMRs. Dois dias depois, Assunção sediou o lançamento de um grupo de trabalho sobre energia nuclear promovido pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e integrado por representantes de 13 países latino-americanos. Washington preparou o terreno; agora começa a colher os resultados.
Para o Brasil, não existe perda imediata de energia ou receita de Itaipu, já que o memorando não altera o tratado da hidrelétrica nem autoriza a instalação de reatores. O prejuízo é estratégico: mesmo dividido com o Brasil por uma usina de 14 mil megawatts, responsável por cerca de 86% do mercado elétrico paraguaio, o governo de Santiago Peña escolheu os Estados Unidos para conduzir sua entrada em uma área tecnológica de alto valor. Brasília perde influência, oportunidades industriais e a possibilidade de liderar um projeto energético no país vizinho.
O acordo também chega poucos dias depois de o Paraguai apresentar um protesto diplomático contra declarações de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Enquanto Washington oferece tecnologia, investimentos e planejamento de décadas, o governo brasileiro acumula ruídos justamente com um dos parceiros mais estratégicos do país. O Paraguai ainda depende de Itaipu, mas passa a construir alternativas e alianças fora da órbita brasileira. No tabuleiro regional, os Estados Unidos avançam — e o Brasil de Lula assiste do banco de reservas.
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