Espanha sufoca a Argentina, vence na prorrogação e conquista o bicampeonato mundial

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Ferran Torres saiu do banco para marcar o gol do título aos 106 minutos; equipe espanhola dominou a decisão, anulou Messi e encerrou o sonho argentino do bicampeonato consecutivo

 

A Espanha é campeã mundial pela segunda vez. Em uma final marcada pelo domínio técnico e territorial da seleção europeia, a equipe comandada por Luis de la Fuente derrotou a Argentina por 1 a 0, neste domingo, 19 de julho, no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos. Ferran Torres, lançado durante o segundo tempo, marcou aos 106 minutos da prorrogação e colocou a segunda estrela na camisa espanhola, 16 anos depois da conquista de 2010.

 

O placar apertado não traduz o que aconteceu dentro de campo. A Espanha controlou a posse de bola, empurrou a Argentina para o próprio campo e terminou os 90 minutos regulamentares com 15 finalizações e nove cobranças de escanteio. A equipe de Lionel Scaloni, por sua vez, não conseguiu sequer finalizar antes da prorrogação e teve apenas um escanteio. A resistência argentina teve nome: Emiliano “Dibu” Martínez, que realizou dez defesas, o maior número já registrado por um goleiro em uma final de Copa do Mundo.

 

Espanha controla; Argentina apenas resiste

 

Luis de la Fuente repetiu a escalação que havia eliminado a França na semifinal. A Espanha começou com Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Marc Cucurella; Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo; Lamine Yamal, Álex Baena e Mikel Oyarzabal. Lionel Scaloni promoveu três alterações na Argentina, colocando Gonzalo Montiel, Rodrigo De Paul e Nicolás González entre os titulares.

 

Desde os minutos iniciais, Rodri passou a comandar o ritmo no meio-campo. Fabián Ruiz e Dani Olmo apareciam entre as linhas, enquanto Lamine Yamal buscava os duelos individuais pelo lado direito. A Argentina respondeu fechando os espaços, aproximando seus defensores e deixando Lionel Messi e Julián Álvarez isolados no ataque.

 

A postura argentina funcionou para impedir o gol, mas praticamente eliminou qualquer capacidade de contra-ataque. Messi recebia a bola distante da área, sempre cercado por dois ou três jogadores espanhóis. Sem liberdade para acelerar ou encontrar Álvarez, o camisa 10 tornou-se um espectador de luxo durante grande parte da decisão.

 

Dibu Martínez adia o gol espanhol

 

Mesmo pressionada, a Argentina chegou ao intervalo sem sofrer gols. Dibu Martínez apareceu em finalizações de Yamal, Oyarzabal e Dani Olmo, mantendo sua equipe viva. A Espanha continuou atacando no segundo tempo, mas esbarrou na falta de precisão e na atuação inspirada do goleiro argentino.

 

Nos acréscimos, a situação da Argentina ficou ainda mais complicada. Enzo Fernández, que já tinha cartão amarelo, atingiu Pau Cubarsí e recebeu a segunda advertência do árbitro esloveno Slavko Vinčić. Expulso, deixou a seleção sul-americana com dez jogadores justamente quando a partida caminhava para a prorrogação.

 

Na cobrança da falta provocada pela expulsão, Lamine Yamal acertou um chute com curva em direção ao canto direito. Dibu Martínez voou para espalmar e alcançou a décima defesa no jogo. Pouco depois, o árbitro encerrou o tempo regulamentar: Espanha com 15 chutes; Argentina com nenhum. Um empate sem gols que já parecia desafiar a lógica.

 

Gol anulado aumenta a tensão

 

A Espanha voltou para a prorrogação ainda mais agressiva. Aos 97 minutos, Nico Williams colocou a bola na rede, mas o árbitro já havia interrompido a jogada por uma falta de Mikel Merino sobre Nicolás Otamendi no início do lance. Como o apito ocorreu antes da finalização, o árbitro de vídeo não pôde validar o gol, provocando protestos dos espanhóis.

 

A Argentina se reorganizou praticamente dentro da própria área, tentando levar a decisão aos pênaltis. Scaloni reforçou a marcação e deixou Messi como principal esperança para uma jogada isolada. O plano, porém, durou apenas até o primeiro minuto da segunda etapa da prorrogação.

 

Ferran Torres entra para a história

 

Aos 106 minutos, Pedro Porro iniciou a jogada pelo lado direito e lançou a bola na área. Nico Williams apareceu no segundo poste e ajeitou de cabeça. Ferran Torres antecipou-se aos defensores e bateu de pé esquerdo, com força, abaixo do travessão. Dibu Martínez, finalmente, não conseguiu evitar: Espanha 1 a 0.

 

Ferran havia começado a decisão no banco, mas saiu dele para ocupar o mesmo lugar reservado aos heróis das finais. Em 2010, Andrés Iniesta marcou aos 116 minutos diante da Holanda. Em 2026, foi Ferran Torres quem decidiu uma nova conquista espanhola durante a prorrogação — dez minutos antes do gol que consagrou Iniesta em Johannesburgo.

 

A Espanha ainda marcou novamente com Ferran, mas o lance foi anulado por impedimento. Nos minutos finais, Messi conseguiu participar mais do jogo e a Argentina finalmente ameaçou a meta de Unai Simón. A defesa espanhola, porém, resistiu à pressão derradeira e impediu que a decisão chegasse às cobranças de pênaltis.

 

Fim do sonho argentino

 

A Argentina chegou à final tentando repetir o título conquistado no Catar, em 2022, e tornar-se a primeira bicampeã consecutiva desde o Brasil de 1958 e 1962. A equipe de Scaloni havia construído uma campanha marcada por reações dramáticas, como a virada sobre a Inglaterra na semifinal, repercutida pelo DFMOBILIDADE após a classificação argentina.

 

A derrota também encerrou a tentativa de Lionel Messi de conquistar seu segundo Mundial consecutivo. Aos 39 anos, o capitão disputou sua terceira final de Copa, depois das decisões de 2014 e 2022. O desempenho do camisa 10 durante a competição havia reaberto inclusive a histórica comparação com Diego Maradona, tema abordado pelo DFMOBILIDADE antes da grande decisão.

 

Messi deixou o gramado abatido, enquanto os jogadores espanhóis celebravam a confirmação de uma geração que já havia conquistado a Eurocopa de 2024. A Argentina perdeu o título, mas voltou a mostrar competitividade e capacidade de sobrevivência — embora, na final, tenha passado tempo demais tentando sobreviver e pouco tempo tentando vencer.

 

Segunda estrela e feito inédito

 

Com a vitória, a Espanha tornou-se bicampeã mundial. O primeiro título havia sido conquistado em 2010, quando derrotou a Holanda também por 1 a 0 na prorrogação. A seleção espanhola tornou-se ainda o primeiro país a possuir simultaneamente os títulos das Copas do Mundo masculina e feminina. A equipe feminina venceu o Mundial de 2023.

 

A conquista também consagra o trabalho de Luis de la Fuente. A Espanha chegou à decisão sustentada por uma defesa organizada, um meio-campo de grande capacidade técnica e uma nova geração liderada por Lamine Yamal, Pau Cubarsí e Nico Williams, sem abandonar a experiência de jogadores como Rodri, Laporte e Oyarzabal.

 

Maior Copa da história termina com recordes

 

A final foi a 104ª partida da primeira Copa do Mundo disputada por 48 seleções. Organizado conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, o torneio terminou com 308 gols — recorde absoluto em uma única edição do Mundial.

 

Além da taça e das medalhas, a Federação Espanhola receberá US$ 51 milhões, cerca de R$ 283 milhões na conversão direta. A Argentina, como vice-campeã, ficará com US$ 34 milhões. A premiação total distribuída pela Federação Internacional de Futebol chegou a US$ 871 milhões.

 

O encerramento teve dimensões de espetáculo norte-americano. Post Malone participou da cerimônia antes do jogo, enquanto Madonna, Shakira, Justin Bieber e o grupo BTS estiveram no primeiro show de intervalo da história das Copas. A pausa entre os dois tempos durou 27 minutos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também acompanhou a decisão no estádio.

 

Ficha técnica

 

Espanha 1 x 0 Argentina

 

Competição: Final da Copa do Mundo de 2026
Data: 19 de julho de 2026
Local: New York New Jersey Stadium, East Rutherford, Nova Jersey
Gol: Ferran Torres, aos 106 minutos
Árbitro: Slavko Vinčić, da Eslovênia
Expulsão: Enzo Fernández, da Argentina, após receber o segundo cartão amarelo

 

Espanha: Unai Simón; Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte e Marc Cucurella; Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo; Lamine Yamal, Álex Baena e Mikel Oyarzabal. Técnico: Luis de la Fuente.

 

Argentina: Emiliano Martínez; Gonzalo Montiel, Cristian Romero, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Rodrigo De Paul, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Nicolás González; Lionel Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.

 

Ao fim, venceu a equipe que procurou o gol desde o início. A Argentina apresentou resistência, tradição e um goleiro em tarde histórica. A Espanha apresentou futebol. E, em uma final, esse pequeno detalhe costuma fazer uma diferença enorme.

 

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