Nova etapa da apuração revela que investigados usavam grupos no Telegram para recrutar integrantes, espalhar discursos de ódio e discutir ações violentas durante as eleições de 2026
A Operação Rede Interrompida ganhou uma dimensão ainda mais grave nesta terça-feira, 4 de agosto. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou que o grupo investigado discutia a instalação de explosivos no prédio onde seria realizado um debate presidencial, além de possíveis ataques contra autoridades. As mensagens analisadas mencionavam mobilizações para o período eleitoral, invasões de edifícios e seleção de alvos em Brasília.
A rede extremista utilizava comunidades no Telegram para divulgar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos integrantes e compartilhar manuais de fabricação de artefatos explosivos. Também foram encontradas plantas arquitetônicas, mapas e modelos tridimensionais de prédios da região central da capital. Mulheres que ocupam cargos de autoridade apareciam entre os alvos dos discursos de ódio.
Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A operação contou com apoio das polícias civis estaduais, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), do CyberGaeco do Ministério Público de Santa Catarina e do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça. Computadores, celulares e outros materiais apreendidos serão periciados para identificar novos participantes e estabelecer até onde os planos haviam avançado.
Apesar da gravidade das conversas, o caso ainda não foi enquadrado na Lei Antiterrorismo. O inquérito apura, por enquanto, associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo. A operação também confirma a importância da divisão especializada criada pelo Governo do Distrito Federal para antecipar ameaças contra Brasília — desta vez, a inteligência policial conseguiu interromper a rede antes que a violência saísse das telas e chegasse às ruas.
Leia também
Ibaneis cria na PCDF divisão especializada no combate ao extremismo violento
DF lidera ranking nacional de segurança e registra menor taxa de crimes letais do país






