PF mira Terra Firme e arrasta Flávia, ex de Arruda, para o centro do caso Master

Foto: reprodução do google
Foto: reprodução do google

Empresa ligada a Augusto Lima, atual marido de Flávia Peres, entrou na mira da nona fase da Operação Compliance Zero. Caso reacende conexões políticas no DF e traz de volta o fantasma da Caixa de Pandora.

 

A nona fase da Operação Compliance Zero abriu um novo capítulo no escândalo do Banco Master e colocou novamente o nome de Flávia Peres, ex-Flávia Arruda, no centro do noticiário político de Brasília.

 

A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira, 18 de junho, mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em uma investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades no sistema financeiro. A operação alcançou endereços ligados ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e atual marido de Flávia.

 

O ponto sensível da nova etapa está na Terra Firme da Bahia Ltda., empresa vinculada a Augusto Lima. O nome ganhou repercussão porque se confunde, no debate público, com o Instituto Terra Firme, entidade presidida por Flávia Peres. A CNN Brasil publicou correção informando que o alvo da busca foi a empresa Terra Firme da Bahia Ltda., e não o Instituto Terra Firme. Já a Veja noticiou que a sede do instituto em Salvador esteve entre os endereços da operação. A divergência exige cautela, mas não reduz o impacto político do caso.

 

No Distrito Federal, o episódio tem um endereço político conhecido. Flávia Peres foi ministra da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, deputada federal pelo DF e ficou nacionalmente conhecida como Flávia Arruda, quando era casada com o ex-governador José Roberto Arruda.

 

A reportagem de Miriam Leitão, em O Globo, destacou exatamente essa conexão. O texto lembra que Flávia foi casada com Arruda, preso em 2010 no contexto da Operação Caixa de Pandora, sob acusação de tentar subornar testemunha e obstruir investigações. Também registra que ela se separou do ex-governador, casou-se com Augusto Lima e passou a usar politicamente o nome Flávia Peres.

 

O DFMobilidade já havia mostrado que Flávia ex-Arruda entrou no foco do escândalo após dados da Receita apontarem repasses declarados pelo Banco Master ao Instituto Terra Firme. Na ocasião, a entidade presidida por Flávia negou irregularidades e afirmou que não recebeu recursos financeiros do banco.

 

Agora, com a PF avançando sobre a Terra Firme da Bahia, o caso muda de patamar. A apuração deixa de ser apenas uma discussão sobre repasses declarados e passa a envolver diligências policiais em uma fase mais ampla da investigação sobre o Banco Master.

 

Augusto Lima é apontado como personagem relevante no núcleo empresarial do caso. Ele foi ex-sócio de Daniel Vorcaro, esteve ligado ao Banco Master e já havia sido alvo de fases anteriores da Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de um esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, operações sem lastro, corrupção e lavagem de dinheiro.

 

O caso também alcançou o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner. Segundo informações oficiais divulgadas pelo STF, a nova fase investiga indícios de uma possível relação entre gestores do Banco Master, especialmente Augusto Lima e Daniel Vorcaro, e o senador petista. A PF cumpriu 18 mandados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

 

No DFMobilidade, a conexão política do caso já vinha sendo acompanhada. O portal mostrou que Jaques Wagner teria pedido emprego para Guido Mantega no Banco Master, em um episódio que expôs o trânsito do banco entre figuras influentes do governo federal.

 

Também não é a primeira vez que o nome de Flávia aparece associado às turbulências do Master. Em novembro do ano passado, quando Augusto Lima foi preso, o DFMobilidade registrou que o passado de Arruda voltava a assombrar Flávia diante da prisão do atual marido. Brasília tem memória curta para promessas, mas longa para escândalos. E, nesse caso, a memória veio com recibo, mandado e sirene.

 

A nova operação também reacendeu a preocupação com eventuais impactos sobre o Banco de Brasília. Nesta quinta, o DFMobilidade mostrou que Damares Alves quer levar à Comissão de Assuntos Econômicos a relação de Augusto Lima com políticos do DF e eventuais operações envolvendo o BRB. A senadora defende bloqueio de bens para proteger o banco público distrital de possíveis prejuízos.

 

O avanço da Compliance Zero ocorre em um momento de forte pressão institucional. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, já havia feito uma fala dura sobre a necessidade de coragem para conduzir a investigação. O DFMobilidade registrou que Mendonça se declarou o elo mais frágil no caso Master e afirmou não temer combater o crime aplicando a lei.

 

Para Flávia Peres, o desgaste é político, ainda que não haja, até aqui, imputação formal contra ela nos elementos públicos da operação. O problema está na teia de relações. Ela preside o Instituto Terra Firme, é casada com Augusto Lima, foi ministra de Bolsonaro, ex-deputada pelo DF e ex-mulher de Arruda. Em Brasília, biografia não é rodapé; é manchete esperando ocasião.

 

A investigação segue sob sigilo parcial e ainda depende do avanço das diligências. Mas o efeito político já está dado. O caso Master deixou de ser apenas um escândalo bancário e passou a funcionar como radiografia das conexões entre dinheiro, poder, influência e velhas figuras da política brasileira.

 

 

 

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.