Em convenção do PT-DF, distrital estende às adversárias acusações dirigidas a Alfredo Gaspar e acende alerta sobre ataques e retórica de ódio na campanha
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) elevou o tom contra Michelle Bolsonaro e Bia Kicis durante a convenção da Federação Brasil da Esperança, realizada na noite desta quarta-feira, 5 de agosto, na Câmara Legislativa. No evento que oficializou Leandro Grass ao Governo do Distrito Federal e confirmou Érika Kokay e Leila Barros na disputa pelo Senado, Magno declarou que Michelle e Bia representariam “a chapa da corrupção, da pedofilia e do estupro”.
A manifestação ocorreu horas depois de Flávio Bolsonaro anunciar Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. Gaspar foi alvo de acusações apresentadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, e a Polícia Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para investigá-las. O deputado alagoano nega categoricamente as imputações, que não representam condenação. Michelle e Bia não são acusadas nesse episódio, e Magno não apresentou qualquer fato que as relacionasse às supostas práticas criminosas.
LEIA TAMBÉM
Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar como vice e fecha chapa presidencial do PL
Flávio lança Michelle e Bia ao Senado e confirma apoio do PL à reeleição de Celina
Celina declara apoio a Michelle e Bia e isola Ibaneis no tabuleiro do Senado
Leila e Michelle lideram, e Bia Kicis reforça campo conservador
PSOL-Rede oficializa apoio a Grass, mas “unidade” da esquerda tropeça na disputa pela vice
“Com esse time, vamos recolocar o Brasil no seu curso”, afirma Roosevelt Vilela
A crítica política pode ser contundente, mas não autoriza transferir culpa por proximidade partidária. Transformar duas candidatas em símbolos de crimes aos quais não estão vinculadas ultrapassa o debate de propostas e alimenta uma retórica de hostilidade que merece repúdio. A gravidade institucional aumenta porque Gabriel Magno integra o próprio Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF, colegiado encarregado de fiscalizar a conduta dos distritais.
Cabe ao Ministério Público Eleitoral e ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal avaliar eventual ofensa à honra ou propaganda negativa abusiva, enquanto o Conselho de Ética pode examinar possível quebra de decoro. O episódio também merece análise sob a perspectiva da violência política contra a mulher, sem antecipação de enquadramento jurídico. A fiscalização não pode usar régua partidária: quem cobra responsabilidade dos adversários precisa começar pelo próprio microfone.






