O que assistimos na Europa no último fim de semana não é um fenômeno isolado, mas o retrato fiel de um modelo político e econômico exaurido. O Velho Continente ferve sob o peso de uma inflação persistente, de uma economia em franca decadência e de crises energéticas sucessivas, tudo isso agravado por uma forte pressão migratória — impulsionada por guerras e pela pobreza, além do expressivo crescimento da população muçulmana que altera rapidamente a dinâmica social da região. Nas ruas europeias, a frustração deu lugar ao radicalismo.
No Brasil, o roteiro não será diferente diante da iminente vitória de Flávio Bolsonaro no próximo domingo. O “01” assumirá um país fraturado e precisará ser enérgico, utilizando todo o rigor dos instrumentos legais para conduzir uma transição capaz de aposentar, em definitivo, o petismo da máquina pública. Sem revanchismo, claro, mas sem a ingenuidade que costuma custar caro à governabilidade.
Para quem acompanha os bastidores do poder há décadas, o ceticismo se impõe. O chamado inflamado feito por Lula há poucos dias não foi mera retórica de fim de campanha; é uma palavra de ordem que se perpetuará assim que as urnas confirmarem sua derrota. Os petistas e seus satélites já têm destino certo: estarão entrincheirados durante todo o mandato do filho de Jair Bolsonaro. Profundamente enraizados na estrutura orgânica do Estado brasileiro, os socialistas lutarão até a última linha de resistência para manter seus espaços, privilégios e capacidade de sabotagem institucional.

O aviso, aliás, já foi dado em alto e bom som. Neste domingo, durante o ato na Esplanada dos Ministérios em favor do petista, o deputado federal eleito Fábio Félix (PSOL) antecipou o clima de beligerância que aguarda o futuro governo, afirmando que será a “primeira linha de resistência” no Congresso Nacional. Não se trata da promessa de uma oposição democrática e construtiva, mas do anúncio prévio de uma guerra de desgaste.
Há poucos dias, o senador Flávio Bolsonaro pontuou com precisão que Lula tornou-se um adversário previsível — fato que ficou evidente quando a simples confirmação de presença no debate gerou uma paralisia imediata na narrativa da campanha governista. E Flávio tem total razão: a esquerda é extremamente previsível. O discurso do pós-eleição já está pronto. Depois de quebrarem o Brasil, passarão a dizer, já a partir da próxima segunda-feira, que a culpa da ruína econômica é de Bolsonaro, reeditando a exata cartilha de inversão de culpa utilizada durante o governo de seu pai.
Aqui no Distrito Federal, o cenário segue a mesma lógica sombria. Essa narrativa de terra arrasada desenha-se desde o primeiro turno, quando atacaram da forma mais vil a governadora Celina Leão. O próprio Presidente da República, em uma cena grotesca que apequenou a liturgia do cargo, lançou mão de preconceito explícito para tentar atingir a chefe do Executivo local.
Olhando para o horizonte, é impossível não ser pessimista quanto à pacificação do país. Não há dúvidas de que uma nova vitória do PT seria desastrosa para o Brasil. Contudo, sejamos realistas: derrotados nas urnas, eles trocarão rapidamente o vermelho festivo das campanhas pelo preto das máscaras nas ruas, fazendo absolutamente tudo o que estiver ao alcance para transformar o Distrito Federal e o país em um verdadeiro inferno.




