Após assumir cenário de forte desequilíbrio fiscal, governo reduz peso das despesas, recupera margem financeira e leva novos números para negociação do crédito destinado ao BRB
O Governo do Distrito Federal apresentou nesta sexta-feira, 7 de agosto, uma mudança expressiva no cenário das contas públicas. A gestão da governadora Celina Leão afirma ter revertido uma projeção que apontava déficit de aproximadamente R$ 6 bilhões em 2026 e agora trabalha com expectativa de superávit de pelo menos R$ 3 bilhões até dezembro. Nos últimos 12 meses, as receitas correntes alcançaram R$ 44,79 bilhões, contra R$ 42,08 bilhões em despesas, diferença positiva de R$ 2,71 bilhões.
A virada foi sustentada por contenção de despesas, revisão de contratos e aumento da arrecadação. Um dos indicadores mais relevantes foi a relação entre despesas e receitas correntes, que caiu para 93,95%, depois de permanecer acima do patamar de 95%. Segundo os dados apresentados pela equipe econômica, o resultado devolve ao governo maior margem fiscal e confirma uma trajetória que já havia aparecido no primeiro quadrimestre, quando o DFMobilidade registrou superávit de R$ 1,8 bilhão nas despesas liquidadas.
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Outro avanço está na Capacidade de Pagamento (Capag). Pelos cálculos apresentados pela Secretaria de Economia com os números de 2026, o Distrito Federal alcança provisoriamente a faixa A, depois de ter classificação C. A diferença é importante: trata-se, neste momento, de uma avaliação baseada nos resultados parciais deste exercício; a nota anual formal do Tesouro Nacional segue calendário próprio. A recuperação dos indicadores, porém, fortalece o argumento do GDF de que possui condições fiscais para assumir a operação de R$ 6,6 bilhões negociada para a capitalização do BRB.
A mudança de rota ocorre poucos meses depois de Celina assumir definitivamente o Palácio do Buriti e encontrar despesas contratadas pressionando o orçamento. Se a projeção de superávit for confirmada até dezembro, a recuperação fiscal dará ao GDF não apenas melhores condições para buscar crédito, mas também maior espaço para manter investimentos e serviços públicos sem permitir que a despesa volte a correr mais rápido que a arrecadação. Em gestão pública, fechar a torneira do desperdício costuma produzir menos manchetes que abrir o cofre — mas, desta vez, os números começaram a falar.






