Governadora reage às acusações do petista, questiona distribuição de panfletos eleitorais e eleva o tom na reta final da disputa pelo Buriti
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), endureceu o discurso contra o adversário Leandro Grass (PT) nesta quarta-feira (21), a quatro dias do segundo turno das eleições. Em entrevistas concedidas à imprensa, Celina rebateu acusações sobre a crise do Banco de Brasília (BRB), questionou a conduta eleitoral do petista e defendeu a recuperação da instituição financeira.
Um dos momentos mais contundentes ocorreu durante entrevista à TV Bandeirantes, quando Celina respondeu à pergunta frequentemente utilizada por Grass sobre o destino dos recursos envolvidos nas operações entre o BRB e o Banco Master.
“A pergunta ‘cadê o dinheiro do BRB?’ virou um bordão do Grass. Eu sugiro que ele pergunte para o Lula, que recebeu o Vorcaro três vezes. Eu sugiro que ele pergunte para o Edinho do PT que também estava envolvido”, declarou.
A governadora fez referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dirigente petista Edinho Silva e ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As declarações representam acusações políticas de Celina e não comprovam participação dos citados em desvios de recursos do BRB.
Celina também afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas independentemente da posição política dos envolvidos. Segundo ela, até mesmo o ex-governador Ibaneis Rocha e antigos dirigentes do banco devem responder caso sejam comprovadas responsabilidades.
A candidata reafirmou que pretende recuperar o BRB e descartou, neste momento, a privatização. Ela destacou medidas judiciais voltadas ao ressarcimento dos recursos e defendeu a continuidade da instituição como banco regional.
O confronto político também alcançou a distribuição de panfletos eleitorais. Celina acusou a campanha adversária de utilizar material capaz de confundir os eleitores sobre seu número na urna.
A controvérsia envolve impressos que associam os nomes de Flávio Bolsonaro e Celina ao número 22, embora a candidata ao Governo do Distrito Federal concorra pelo número 11. A coligação governista acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), alegando risco de indução do eleitor ao erro.
Celina classificou a iniciativa como uma baixaria e questionou a coerência do discurso democrático do adversário diante da distribuição dos materiais. A campanha de Grass, por sua vez, sustenta que os panfletos são legais e apresentam uma comparação entre os projetos políticos em disputa.
A governadora também dirigiu críticas pessoais ao candidato petista, a quem chamou de “mentiroso contumaz”, e relembrou uma antiga decisão da Justiça Eleitoral que havia determinado sua inelegibilidade.
O episódio mencionado ocorreu em março de 2024, quando o TRE-DF declarou Grass inelegível por oito anos em processo relacionado à propaganda eleitoral de 2022. Entretanto, em maio daquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reformou a decisão por unanimidade, afastando a inelegibilidade.
A sucessão de acusações ocorre na última semana da campanha eleitoral. O BRB, as denúncias sobre propaganda irregular e as responsabilidades pela crise bancária passaram a ocupar espaço central no confronto entre Celina e Grass.
Os dois candidatos disputarão o comando do Palácio do Buriti no próximo domingo, 25 de outubro. Até lá, além das propostas para o Distrito Federal, a conduta das campanhas e as explicações sobre o patrimônio do banco público continuarão sob escrutínio dos eleitores.



