A quatro dias da eleição, Sinpro-DF ignora apelo de Celina Leão, rejeita metas do Ideb e paralisa escolas em ato político

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EXCLUSIVO | POLÍTICA E EDUCAÇÃO NO DF

Sindicato convoca cruzamento de braços para esta quarta-feira (21) na Praça do Buriti, ataca cobrança por desempenho pedagógico e deixa estudantes sem aula às vésperas de feriado escolar eleitoral; nos bastidores, movimento é visto como prova da aversão da militância sindical de esquerda ao trabalho e à gestão por resultados.

Por Redação — Brasília

A menos de 96 horas do segundo turno das eleições, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) decidiu usar a rede pública de ensino como trinchera eleitoral. Ignorando o apelo direto feito pela governadora Celina Leão (PP) para que os alunos não fossem prejudicados na reta final da campanha, a entidade manteve a convocação de uma paralisação geral com ato público para esta quarta-feira (21/10), às 9h, na Praça do Buriti.

Mais do que o momento estrategicamente escolhido para desgastar o Executivo local às vésperas da abertura das urnas no domingo (25), o teor da convocação oficial do sindicato expõe o esgotamento de um modelo que passa longe de qualquer sindicalismo de resultados reais para a sociedade: no próprio texto em que chama a categoria para a rua, a diretoria do Sinpro-DF ataca abertamente as medidas da Secretaria de Educação (SEEDF) voltadas a elevar as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Contra as metas, a favor dos cartazes

Na convocatória publicada pela entidade, o sindicato acusa a governadora Celina Leão e o secretário de Educação, Thiago Peixoto, de “autoritarismo”. Quando se analisa o que a cúpula sindical classifica como medida autoritária, porém, emergem dois pontos centrais: a exigência de cumprimento de um cronograma pedagógico focado em recuperar o desempenho das escolas no Ideb e a proibição de colagem de cartazes políticos do próprio sindicato dentro dos colégios públicos.

Para o comando do Sinpro-DF, a cobrança por produtividade e o envio de materiais estruturados para melhorar os índices educacionais de Brasília representam uma “intervenção” na autonomia escolar. Na prática, a reação confirma a crítica histórica de especialistas em gestão pública e de pais de alunos: aparelhado por correntes partidárias de esquerda, o movimento sindical rechaça qualquer mecanismo de mérito, avaliação ou cobrança por resultados, preferindo a zona de conforto da militância ideológica ao trabalho efetivo em sala de aula.

“Eu faço um apelo ao sindicato para que não faça uma paralisação quatro dias antes da eleição. É muito ruim, coloca a categoria toda numa situação de muito confronto. Quem perde primeiro é a comunidade escolar, que vai ficar sem aula por conta disso.” — Celina Leão, governadora do Distrito Federal, em declaração antes do ato.

Semana encurtada e aversão ao batente

O calendário escolhido pelos sindicalistas reforça o desgaste junto às famílias brasilienses. Por conta da preparação das seções eleitorais para o segundo turno, a rede pública de ensino do Distrito Federal já terá as aulas suspensas nesta sexta-feira (23/10). Ao decretar paralisação em plena quarta-feira (21/10) — disponibilizando, inclusive, frota de ônibus pagos com a contribuição da categoria para levar manifestantes ao Palácio do Buriti —, o sindicato esvazia a semana letiva.

Entre críticos do aparelhamento ideológico nas escolas e integrantes do próprio governo, a leitura é direta: o episódio escancara a velha máxima de que a militância esquerdista encastelada nos sindicatos não gosta de trabalhar, buscando pretextos políticos para suspender o expediente enquanto terceiriza a culpa pelo baixo desempenho educacional.

O ato nada mais é que uma “BOCA DE URNAS” para Lula e Grass.

Mesmo diante da tentativa de intimidação nas ruas, a governadora Celina Leão reiterou que mantém a mesa de diálogo aberta para discutir pautas técnicas — como o Calendário Escolar de 2027 e o concurso de remanejamento, que inclusive já foram tema de reunião entre o sindicato e subsecretarias da pasta na última semana —, mas deixou claro que não recuará na profissionalização do ensino. A Secretaria de Educação informou que a adesão ao ato político é facultativa e que o dia parado terá de ser obrigatoriamente reposto aos estudantes.

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