Recorde de arrecadação expõe apetite tributário do governo federal em março

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A arrecadação federal bateu recorde em março de 2026 e chegou a R$ 229,249 bilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta terça-feira, 28 de abril de 2026. O resultado representa alta real de 4,99% em relação a março de 2025, já descontada a inflação pelo IPCA. Foi o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica considerada pela Receita.

No primeiro trimestre, o governo federal arrecadou R$ 777,117 bilhões, crescimento real de 4,58% sobre o mesmo período do ano passado. Também foi o melhor resultado para o trimestre desde 2000. Em português claro: entrou mais dinheiro no caixa da União, enquanto o contribuinte segue fazendo malabarismo para fechar o próprio mês.

As receitas administradas diretamente pela Receita Federal somaram R$ 223,531 bilhões em março, alta real de 5,56%. No acumulado de janeiro a março, chegaram a R$ 751,942 bilhões, com avanço real de 5,59%. Já as receitas administradas por outros órgãos ficaram em R$ 5,718 bilhões no mês, queda real de 13,52%.

De acordo com a Receita Federal, o avanço da arrecadação foi puxado principalmente pela contribuição previdenciária, pelo PIS/Cofins, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital e pelo IOF. O crescimento também foi influenciado por fatores econômicos, como massa salarial, importações e desempenho de setores específicos da economia.

O IOF foi um dos principais destaques. Em março, o imposto arrecadou R$ 8,347 bilhões, crescimento real de 50,06% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo a Receita, o desempenho decorre especialmente de operações de crédito, seguros e saída de moeda estrangeira, além de alterações legislativas implementadas em junho de 2025.

A contribuição previdenciária também pesou no resultado. Foram R$ 61,840 bilhões arrecadados em março, com crescimento real de 4,95%. A Receita atribui o avanço ao aumento real da massa salarial e à reoneração escalonada da folha de pagamentos, prevista na Lei nº 14.973/2024.

Outro ponto relevante foi a arrecadação conjunta do Imposto de Importação e do IPI vinculado à importação, que somou R$ 12,687 bilhões em março. O crescimento real foi de 31,56%, explicado pelo aumento da alíquota média efetiva do Imposto de Importação, do IPI vinculado e pelo avanço de 21,69% no valor em dólar das importações.

No acumulado do trimestre, o PIS/Pasep e a Cofins somaram R$ 153,126 bilhões, alta real de 5,60%. A Receita apontou melhora no setor de serviços, recuperação de segmentos vinculados ao Perse, desempenho do setor de combustíveis, eletricidade, gás, serviços financeiros e Simples Nacional.

O dado reforça uma marca do atual cenário fiscal: o governo federal tem conseguido elevar a arrecadação, mas a pressão por equilíbrio das contas públicas continua no centro do debate econômico. A conta sobe, o caixa melhora, mas o contribuinte segue perguntando quando a eficiência do gasto público vai aparecer com a mesma força dos tributos.

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