Aos 80 anos, presidente repete a chapa com Geraldo Alckmin e reúne sete partidos em uma eleição que também expõe a dificuldade da esquerda em preparar um sucessor
O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo, 2 de agosto, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A convenção nacional foi realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, e confirmou a repetição da chapa formada com o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB. A escolha partidária ainda deverá ser registrada na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Esta será a sétima vez que Lula disputará a Presidência da República. O petista concorreu em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022, vencendo três eleições. Agora, tenta conquistar um quarto mandato e permanecer no Palácio do Planalto até os 85 anos — uma longevidade política que confirma sua força eleitoral, mas também evidencia o quanto o campo governista continua dependente de seu principal personagem.
A candidatura recebeu o apoio de PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede. Durante a convenção, aliados concentraram os discursos na defesa da soberania nacional, nos programas sociais do governo e nos ataques aos adversários da direita. A estratégia petista será apresentar Lula como uma espécie de barreira contra o avanço conservador, enquanto tenta afastar do debate o desgaste acumulado pelo governo e as dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
Com a homologação, Lula deixa oficialmente o ambiente da pré-campanha e entra no tabuleiro eleitoral como candidato à continuidade. A propaganda nas ruas e na internet será permitida a partir de 16 de agosto. Até lá, o PT trabalhará para preservar a unidade da esquerda e transformar a experiência do presidente em ativo eleitoral — ainda que, depois de sete candidaturas, a renovação continue sendo uma promessa cuidadosamente adiada.
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