O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura informações de que a estrutura de inteligência da Polícia Federal teria produzido relatórios envolvendo outros três integrantes da Corte: Dias Toffoli, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. A suspeita chegou ao gabinete do magistrado em meio à investigação sobre documentos elaborados pela PF a respeito da própria atuação de Mendonça. Até agora, não há confirmação pública da corporação de que os três ministros tenham sido formalmente monitorados.
No caso de Toffoli, que antecedeu Mendonça na relatoria das investigações do Banco Master, a informação é de que agentes teriam analisado sua atuação durante as fases iniciais da Operação Compliance Zero. Fux e Nunes Marques também aparecem entre os possíveis alvos. A apuração busca descobrir se houve produção sistemática de documentos de inteligência voltados à atividade jurisdicional de ministros do Supremo.
A crise começou depois da revelação de relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto sobre Mendonça. O ministro classificou o episódio como “arapongagem institucional” e determinou que a Corregedoria da PF investigasse quem ordenou e produziu o material. Também afastou preventivamente o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, decisão posteriormente suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin.
O caso elevou a temperatura dentro do Supremo e abriu uma discussão muito mais ampla: até onde pode ir a inteligência policial quando o objeto de análise são decisões e integrantes da mais alta Corte do país? Fachin centralizou os procedimentos relacionados à crise e marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária do plenário. Agora, além de esclarecer o que ocorreu com Mendonça, será preciso descobrir se o episódio foi isolado — ou apenas a primeira ponta de um problema bem maior.




