Relatos de mães de crianças com autismo ganharam espaço nas redes sociais e passaram a alimentar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à disputa eleitoral. As manifestações reúnem reclamações sobre dificuldades para conseguir medicamentos, tratamentos especializados e benefícios assistenciais. Entre as participantes estão mulheres que afirmam não encontrar, nas políticas públicas, o suporte necessário para cuidar dos filhos e que manifestaram publicamente sua rejeição ao PT.
Em Ribeirão Preto, no interior paulista, Marly relatou a situação do filho, diagnosticado com autismo não verbal e nível 3 de suporte. Segundo seu depoimento, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) foi negado duas vezes, enquanto a família enfrenta dificuldades para conseguir medicamentos e acompanhamento psicológico. Melissa Popts, fundadora da União TEA, também questionou medidas federais, especialmente as regras de educação inclusiva estabelecidas pelo Decreto nº 12.686/2025, que provocaram preocupações sobre o atendimento especializado. O governo modificou posteriormente a norma, incluindo garantias de apoio às instituições especializadas.
Outra controvérsia envolve a Lei Complementar nº 214/2025, que estabeleceu restrições tributárias na aquisição de veículos por pessoas com deficiência e autistas, conforme o grau de suporte. A medida foi contestada judicialmente e, em 3 de agosto de 2026, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por unanimidade, a diferenciação entre graus de deficiência para a concessão da alíquota zero. Já em relação ao BPC, o governo sustenta que as exigências de atualização cadastral e avaliação buscam combater irregularidades, sem eliminar o direito das pessoas que atendem aos critérios legais.
As manifestações também resgataram uma declaração de Lula, em abril de 2023, quando o presidente utilizou a expressão “desequilíbrio de parafuso” ao falar sobre transtornos mentais durante uma reunião sobre violência nas escolas. A fala foi criticada na época por seu caráter considerado preconceituoso. Agora, em plena campanha presidencial, os depoimentos colocam novamente em debate a distância entre a inclusão prevista na legislação e as dificuldades enfrentadas por algumas famílias. A mobilização revela insatisfação entre as participantes, embora não permita concluir que esse posicionamento represente todas as mães atípicas brasileiras.




