O governo brasileiro decidiu retirar as credenciais de um agente norte-americano em atuação no Brasil, numa resposta de reciprocidade à decisão dos Estados Unidos de exigir a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território americano. A medida foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, após o novo atrito diplomático entre Brasília e Washington em torno do caso Alexandre Ramagem.
Segundo Andrei Rodrigues, o policial americano perdeu o acesso às unidades brasileiras da mesma forma que o servidor brasileiro deixou de atuar em Miami. O chefe da PF afirmou ainda que a decisão foi tomada “com pesar”, mas amparada no princípio da reciprocidade, depois de o governo brasileiro dizer que não recebeu explicações formais detalhadas das autoridades dos Estados Unidos.
A crise começou a escalar após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA anunciar, em publicação na rede X, que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” por supostamente tentar contornar os mecanismos formais de cooperação jurídica no episódio envolvendo Ramagem. A Embaixada dos EUA em Brasília confirmou à Reuters que o alvo da medida era Marcelo Ivo de Carvalho, adido da PF em Miami e elo brasileiro junto ao ICE.
No centro do impasse está Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado federal, que foi preso na Flórida e depois liberado. A Agência Brasil informou que ele é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação relacionada à trama golpista e que houve cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no caso.
O episódio expõe mais um momento de desgaste entre os dois países. Lula já havia afirmado, durante viagem à Alemanha, que o Brasil poderia responder caso ficasse caracterizado abuso de autoridade ou interferência por parte dos americanos. Na prática, foi exatamente isso que ocorreu: a diplomacia virou espelho, e o gesto de Washington recebeu troco em Brasília.
O contexto político agrava ainda mais a tensão. O caso Ramagem mistura cooperação internacional, disputa jurídica, narrativa de perseguição política e pressão diplomática. Quando um assunto policial atravessa a fronteira e cai no colo de dois governos, a temperatura sobe rápido — e, dessa vez, subiu no modo turbo.
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