Lula expulsa russo acusado de espionagem, mas saída ainda depende da Justiça

Reprodução das redes sociais
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O governo Lula determinou a expulsão de Sergey Vladimirovich Cherkasov, russo apontado por autoridades internacionais como integrante de uma operação de espionagem do GRU, o serviço de inteligência militar da Rússia. A decisão consta da Portaria nº 6.737, publicada no Diário Oficial da União, e impede o retorno dele ao Brasil por 30 anos. O detalhe, quase sempre escondido na fumaça da manchete, é que a expulsão não será imediata: ela só poderá ser executada após o cumprimento da pena no Brasil ou mediante liberação judicial.

Cherkasov está preso desde 2022 e ficou conhecido por usar a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, apresentada como brasileira. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ele teria usado essa cobertura para entrar em universidade americana, circular em ambientes acadêmicos e coletar informações de interesse da inteligência russa. Já o serviço de inteligência da Holanda afirmou que o russo tentou chegar ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, como estagiário — justamente quando a corte investigava crimes de guerra ligados à invasão da Ucrânia.

Na prática, Brasília transformou um caso de contrainteligência internacional em ato migratório: expulsa, mas só depois; veta o retorno, mas sem data para saída. Cherkasov também é alvo de disputa entre Estados Unidos e Rússia, com pedidos distintos de extradição, enquanto cumpre pena no Brasil por fraude documental. A decisão brasileira, portanto, encerra uma etapa administrativa, mas não resolve de imediato o nó diplomático — aquele tipo de nó que o Itamaraty costuma chamar de prudência, e o mundo real chama de problema pendurado.

O episódio surge em meio a uma relação externa cada vez mais sensível para o Planalto, que já enfrenta ruídos com Washington em outras frentes. O DFMOBILIDADE mostrou esse ambiente de tensão em “EUA chamam alerta do Itamaraty de ‘absurdo’ e expõem novo curto-circuito diplomático de Lula” e também em “Governo Lula evita audiência e deixa tarifa virar palanque” . No caso do russo, o governo tenta demonstrar firmeza; o problema é que, por enquanto, a firmeza veio com prazo aberto e carimbo de espera.

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