Juro cai, mas bolso segue apertado com Selic a 14,5%

Reprodução do Instagram do Banco Central
Reprodução do Instagram do Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,5% ao ano nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A decisão foi unânime e confirmou a expectativa majoritária do mercado financeiro, que já trabalhava com um corte moderado de 0,25 ponto percentual.

Apesar da redução, o alívio para famílias, empresas e consumidores ainda deve ser limitado. A Selic continua em patamar elevado e mantém o crédito caro, especialmente para quem depende de financiamento, cartão de crédito, cheque especial ou capital de giro. Em bom português: o Banco Central tirou o pé do freio, mas o carro ainda está subindo ladeira.

Segundo o comunicado do Copom, o cenário exige cautela. A autoridade monetária apontou aumento da incerteza sobre as projeções de inflação, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e dos possíveis impactos sobre preços de combustíveis, alimentos e demais custos da economia.

O Banco Central também projetou inflação de 4,6% para 2026 e 3,5% para o quarto trimestre de 2027. O número preocupa porque a meta oficial perseguida pela autoridade monetária é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o teto é de 4,5%.

O Boletim Focus, divulgado pelo próprio Banco Central, mostra um mercado ainda mais pessimista. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu para 4,86%, na sétima alta consecutiva, acima do limite superior da meta. A projeção para o crescimento do PIB ficou em 1,85%.

A decisão marca o segundo corte consecutivo da Selic. Em março, o Copom já havia reduzido a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Antes disso, os juros permaneceram em 15% entre junho de 2025 e março de 2026, o maior nível em quase duas décadas.

Para o consumidor, a queda da Selic não significa redução imediata dos juros bancários. O efeito costuma aparecer de forma gradual e depende da avaliação de risco dos bancos, da inadimplência, das expectativas de inflação e da condução da política econômica. Enquanto isso, o custo do dinheiro segue alto.

O desafio do Banco Central será equilibrar dois movimentos difíceis: reduzir juros para estimular a economia sem perder o controle da inflação. Já o governo federal segue diante de uma realidade incômoda: com inflação pressionada, crédito caro e crescimento baixo, o discurso de melhora econômica encontra resistência no bolso do brasileiro.

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