A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República esbarrou nesta quinta-feira, 13 de agosto, em um problema incomum na reta final do prazo eleitoral. Ao tentar formalizar o registro, a equipe do senador constatou que o sistema da Justiça Eleitoral apontava Flávio como filiado ao partido Missão, ligado ao MBL, e não ao PL. A alteração teria sido lançada às 23h17 de quarta-feira (12) e, enquanto permanecer válida, impede a conclusão normal do pedido de registro pelo partido que oficializou sua candidatura.
A hipótese inicial de invasão ao sistema perdeu força após manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte informou que não houve hackeamento de seus sistemas e que a inclusão foi feita mediante uso indevido de credenciais pertencentes a alguém autorizado pelo próprio Missão a operar o sistema de filiações. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou providências para abertura de investigação, enquanto o pedido para retirar a filiação considerada irregular permanece em análise. O próprio Missão afirma também ter sido vítima da fraude e nega qualquer interesse em receber Flávio em seus quadros.
LEIA TAMBÉM NO DFMOBILIDADE
- Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar como vice e fecha chapa presidencial do PL
- “Meu porta-voz para resgatar o Brasil”: carta de Jair confirma Flávio e convoca união para 2026
- Flávio encosta em Lula e acende alerta no Planalto para 2026
- Flávio Bolsonaro deve se reunir com Trump na Casa Branca em meio à corrida eleitoral de 2026
- Flávio lança Michelle e Bia ao Senado e confirma apoio do PL à reeleição de Celina
- Lula estaciona, Flávio avança e eleição entra na zona de empate técnico
O episódio ocorre a apenas dois dias do encerramento do prazo para apresentação dos pedidos de registro. Pelas regras eleitorais de 2026, partidos, federações e coligações têm até as 19h de sábado, 15 de agosto, para encaminhar as candidaturas à Justiça Eleitoral. Para presidente e vice-presidente, a competência para analisar o registro é do próprio TSE.
A defesa de Flávio agora busca restabelecer formalmente sua filiação ao PL e liberar o caminho para o registro da chapa. A ocorrência, portanto, está sendo tratada como possível fraude de filiação e uso indevido de credenciais, e não como invasão aos computadores do TSE. A investigação deverá esclarecer quem utilizou o acesso partidário, de onde partiu a operação e com qual finalidade — uma “filiação surpresa” que, às vésperas do prazo final, conseguiu transformar um procedimento burocrático em caso de polícia.




