Cade mira Gol e Latam por suspeita de alinhamento de preços no mercado aéreo

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou processo administrativo para apurar possíveis condutas anticoncorrenciais envolvendo Gol e Latam no mercado brasileiro de transporte aéreo doméstico de passageiros. A investigação mira indícios de possível alinhamento de preços em rotas consideradas de alta relevância comercial, especialmente a ponte aérea Rio de Janeiro-São Paulo.

Segundo o Cade, a Superintendência-Geral identificou indícios de atuação coordenada entre as companhias, o que levou ao aprofundamento da apuração. O caso começou em 2023, após representação do Ministério Público Federal junto ao Cade, motivada por comunicação da Procuradoria da República no Rio de Janeiro sobre uma “enorme similaridade” nos valores cobrados por Gol e Latam em passagens nos trechos Santos Dumont-Congonhas e Congonhas-Santos Dumont.

A partir dessa comunicação, foi aberto um inquérito administrativo, prorrogado algumas vezes até a decisão de transformar a apuração em processo administrativo. Na prática, o Cade entendeu que há elementos suficientes para investigar de forma mais aprofundada se houve infração à ordem econômica.

A suspeita central é se as empresas, em vez de disputarem passageiros por meio de preços competitivos, teriam adotado comportamento semelhante em rotas estratégicas. Em um setor concentrado, qualquer sinal de coordenação chama atenção, porque o consumidor costuma ser o primeiro a sentir no bolso. E passagem aérea, como se sabe, já não anda exatamente fazendo carinho no orçamento do brasileiro.

A abertura do processo não significa condenação. Gol e Latam ainda serão notificadas e poderão apresentar defesa, documentos, provas e explicações ao Cade. Caberá ao órgão antitruste avaliar se houve prática anticoncorrencial ou se a semelhança de preços decorreu de fatores próprios do mercado aéreo, como custos operacionais, demanda, disponibilidade de assentos, horários e dinâmica tarifária.

O caso tem impacto direto para os consumidores porque envolve rotas de grande circulação e forte apelo comercial. A ponte aérea Rio-São Paulo é uma das mais importantes do país, utilizada por passageiros corporativos, autoridades, profissionais liberais e viajantes frequentes. Qualquer distorção de concorrência nesse mercado pode afetar milhares de passageiros.

O Cade informou que a investigação continuará examinando os indícios levantados pela Superintendência-Geral. Se ficar comprovada conduta anticoncorrencial, as empresas podem sofrer sanções previstas na legislação de defesa da concorrência.

Por enquanto, o processo abre uma nova etapa de apuração sobre um tema sensível: a formação de preços das passagens aéreas no Brasil. Para o passageiro, a pergunta é simples. A tarifa é resultado da concorrência ou de um jogo combinado no céu? Agora, o Cade terá de responder com provas em terra firme.

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