Relatório médico enviado ao STF aponta agravamento dos soluços, necessidade de doses elevadas de medicamentos e novos exames para investigar problemas digestivos
O ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser mantido em prisão domiciliar humanitária diante da piora em seu quadro de saúde. A tendência, segundo informações que circulam no Supremo Tribunal Federal (STF), é que o ministro Alexandre de Moraes renove o período de permanência do ex-chefe do Executivo em casa, sob monitoramento judicial.
O novo relatório médico enviado ao tribunal aponta agravamento dos episódios de soluço nos últimos dias. Segundo o documento, foi necessário administrar doses elevadas de medicamentos, no “limite terapêutico de segurança”, para tentar controlar o quadro.
Bolsonaro foi autorizado, no fim de março, a cumprir prisão domiciliar humanitária monitorada pelo prazo inicial de 90 dias. A decisão ocorreu após internação por broncopneumonia e levou em conta o estado de saúde considerado grave pela equipe médica.
Na ocasião, o DFMobilidade mostrou que a alta médica abriu caminho para Bolsonaro deixar o hospital e cumprir prisão em casa, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, com regras restritivas, tornozeleira eletrônica, limitação de visitas e proibição de uso de celular e redes sociais.
O caso voltou ao centro das atenções porque o prazo inicial da domiciliar se aproxima do fim e a defesa trabalha para demonstrar que o quadro clínico ainda exige cuidados contínuos. Antes da concessão da medida, o senador Flávio Bolsonaro já havia levado ao STF um pedido de prisão domiciliar humanitária e relatado melhora pontual no estado de saúde do pai, como registrou o DFMobilidade na matéria Flávio vai a Moraes pedir prisão domiciliar para Bolsonaro e relata melhora no quadro de saúde do ex-presidente.
Além da broncopneumonia, Bolsonaro passou por cirurgia no ombro direito em maio. Agora, os médicos indicam a necessidade de uma série de exames complementares, entre eles uma endoscopia digestiva, para investigar a função do esfíncter esofágico inferior e avaliar a presença de esofagite crônica.
O boletim também registra que o ex-presidente continua relatando cansaço e fadiga após esforços médios, além de oscilações no equilíbrio corporal. Na prática, a discussão jurídica voltou a ser atravessada pelo prontuário médico — e, nesse caso, a saúde pesa mais que o calendário.
A prisão domiciliar, no entanto, não significa liberdade plena. Bolsonaro permanece submetido às condições impostas pelo STF, com monitoramento e restrições. Em abril, Moraes chegou a cobrar da defesa a comprovação da qualificação profissional do irmão de criação de Michelle Bolsonaro, indicado para auxiliar nos cuidados diários do ex-presidente. O episódio foi tratado pelo DFMobilidade em Moraes cobra qualificação de irmão de Michelle para cuidar de Bolsonaro em prisão domiciliar.
Condenado pelo STF a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro permanece no centro de uma disputa que mistura saúde, Justiça e política. A eventual renovação da domiciliar deve ser analisada por Moraes com base nos novos documentos médicos apresentados ao tribunal.
Nos bastidores, aliados avaliam que a manutenção da medida é o caminho mais provável. A defesa sustenta que a condição clínica do ex-presidente exige acompanhamento permanente e que o retorno a outro regime poderia representar risco de agravamento.
A decisão final caberá ao STF. Até lá, Bolsonaro segue em casa, monitorado, com a saúde sob lupa e o processo político-jurídico longe de qualquer soluço institucional.




