Áudio atribuído a Flávio Bolsonaro põe Banco Master no centro de nova crise política
A crise em torno do Banco Master ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, após o Intercept Brasil publicar reportagem afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com Daniel Vorcaro, dono do banco, um aporte milionário para financiar o filme internacional Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o valor tratado chegaria a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época.
De acordo com o Intercept, mensagens, áudios, comprovantes e uma tabela de pagamentos indicariam que parte dos recursos teria sido transferida por meio da Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. O caso coloca a família Bolsonaro diante de uma pergunta politicamente incômoda: por que um banqueiro investigado e posteriormente preso teria interesse em bancar uma produção de alto valor sobre o clã?
A reportagem afirma que as conversas analisadas vão de dezembro de 2024 a novembro de 2025 e teriam sido verificadas por cruzamento com dados bancários, telefônicos, registros públicos, inquéritos policiais, informações do Congresso Nacional e redes sociais. Segundo o material publicado, a relação teria começado com intermediários e avançado para uma interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com cobranças sobre liberação de dinheiro e tratativas operacionais.
Um dos trechos mais sensíveis revelados pela reportagem envolve uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro, enviada em 16 de novembro de 2025, na qual o senador teria escrito a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. O detalhe político pesa: no dia seguinte, Vorcaro foi preso, segundo a cronologia apresentada pela própria reportagem.
O Intercept também relata que tentou ouvir Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, a defesa de Daniel Vorcaro e advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Até a publicação, segundo o veículo, não houve resposta dos citados. Questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento, Flávio negou a informação e disse: “É mentira”.
O caso se torna ainda mais explosivo porque Daniel Vorcaro já está no centro da Operação Compliance Zero, investigação que apura crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados ao Banco Master. Em abril, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, suspeito de facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master.
A Agência Brasil registrou que o Banco Central rejeitou oficialmente, em setembro de 2025, a compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. O negócio já enfrentava resistência no mercado por causa do modelo de captação considerado arriscado e da qualidade questionada de parte dos ativos da instituição.
A CNN Brasil também noticiou que Paulo Henrique Costa foi preso em nova fase da operação e que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, no contexto da investigação federal e após a rejeição da venda ao BRB. A defesa do ex-presidente do BRB nega irregularidades.
Na prática, a nova revelação amplia o alcance político do escândalo. O Banco Master, que já aparecia no centro de uma crise financeira e judicial, agora passa a ser associado, segundo a reportagem do Intercept, a uma operação de financiamento de imagem política em escala internacional. Não se trata apenas de um filme. Trata-se de dinheiro, poder, influência e bastidores em ano de pré-campanha — ingredientes que, em Brasília, raramente entram em cena por acaso.
O ponto central ainda dependerá de investigação formal, documentos periciados, eventuais respostas dos citados e manifestação das autoridades competentes. Mas o estrago político já está feito: a narrativa de distanciamento entre o bolsonarismo e o Banco Master fica sob forte pressão diante do material publicado. E, quando áudio, tabela de pagamento e banqueiro preso entram na mesma frase, a política costuma deixar de ser debate e vira prontuário.
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