Amiga de Lulinha exibia ministros e virou alvo de três inquéritos

Foto: reprodução do X
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“Quem tem amigos, tem tudo”: amiga de Lulinha exibia ministros e virou alvo de três inquéritos

 

Roberta Luchsinger, lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, transformou suas redes sociais em uma verdadeira galeria de proximidade com integrantes do primeiro escalão da República. Hoje investigada em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeitas que incluem tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro, ela publicou ao longo dos últimos anos registros ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do governo e integrantes do STF. As fotografias, por si só, não demonstram participação ou envolvimento das autoridades nas condutas investigadas.

 

A exposição não era exatamente discreta. Candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo em 2018 e posteriormente ligada ao PSB na campanha de 2022, Luchsinger divulgou naquele ano um vídeo com Lula, Janja, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Márcio França acompanhado da frase “Quem tem amigos, tem tudo”. Também publicou registros com Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Luís Roberto Barroso e Flávio Dino. Em novembro de 2023, chegou a felicitar Dino pela indicação ao Supremo; posteriormente, o ministro tornou-se relator de um dos procedimentos envolvendo a lobista e Lulinha — circunstância que, isoladamente, não indica irregularidade ou impedimento do magistrado.

 

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O problema para a lobista não está nas fotografias, mas no material que passou a ser analisado pela Polícia Federal. As apurações investigam sua atuação em negociações envolvendo interesses privados perante órgãos federais e uma possível articulação que teria como pontos de contato Lulinha e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal do presidente. Outros registros apontam que Luchsinger circulou por órgãos do governo e participou de tratativas relacionadas principalmente às áreas de saúde e tecnologia. A PF busca esclarecer se esse trânsito político foi convertido em influência para negócios privados e contratos públicos.

 

Lulinha nega ter cometido irregularidades e sua defesa sustenta que informações sigilosas vêm sendo vazadas de maneira seletiva, com finalidade política. A defesa de Luchsinger também contesta a divulgação do conteúdo das investigações. Até agora, investigação não significa culpa nem condenação. Politicamente, porém, o contraste é difícil de ignorar: as mesmas redes sociais usadas para apresentar uma extensa coleção de acessos ao poder passaram a servir de retrato do ambiente que a PF tenta compreender — quem falava com quem, em nome de quem e, sobretudo, para conseguir o quê.

 

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