Presidente do Senado retoma diálogo com o Planalto depois da guerra por Messias; em casa, Clécio Luís enfrenta vantagem superior a 30 pontos de Dr. Furlan
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltou a conversar politicamente com Luiz Inácio Lula da Silva justamente quando seu grupo enfrenta um teste eleitoral pesado no Amapá. Depois de meses de desgaste provocado pela derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Alcolumbre reuniu-se com Lula no Palácio da Alvorada, nesta quarta-feira (12), e anunciou que o diálogo entre os dois foi “restabelecido”. A ponte que parecia implodida em abril está novamente aberta — e, a menos de dois meses das urnas, política raramente desperdiça coincidências.
O cenário amapaense ajuda a explicar o peso dessa reconciliação. Alcolumbre apoia a reeleição do governador Clécio Luís (União Brasil), mas o adversário Dr. Furlan (PSD) aparece com larga vantagem. Pesquisa registrada na Justiça Eleitoral sob o nº AP-02651/2026 colocou Furlan com 65,5%, contra 26,3% de Clécio. Outro levantamento, registrado sob o nº AP-02970/2026, apontou placar semelhante: 66% a 30%. São diferenças superiores a 30 pontos percentuais, transformando o Amapá numa frente particularmente delicada para o grupo comandado pelo presidente do Senado.
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A aproximação ganhou contornos ainda mais eleitorais depois que o ministro José Guimarães afirmou que Alcolumbre estaria “absolutamente sintonizado” com a reeleição de Lula e com o palanque governista no Amapá, que reúne Clécio e o senador Randolfe Rodrigues (PT). Há, porém, uma diferença importante: Alcolumbre ainda não declarou publicamente apoio formal à candidatura presidencial de Lula. O que existe, até aqui, é uma convergência política descrita pelo governo e uma retomada objetiva da interlocução entre Senado e Planalto.
Para Alcolumbre, a equação agora funciona em dois tabuleiros. Em Brasília, recuperar o canal com Lula amplia sua influência sobre as pautas do Executivo e pode pesar na próxima disputa pelo comando do Senado. No Amapá, a presença do presidente da República no mesmo campo político pode fortalecer uma chapa que começa a campanha oficialmente muito atrás de Furlan. A reconciliação, portanto, pode até ser apresentada como institucional; o calendário eleitoral, porém, cuidou de dar ao reencontro uma utilidade bem mais concreta.




