O Banco Central do Paraguai determinou o fechamento das operações do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras privadas do país, após identificar graves problemas de solvência, deterioração da liquidez e irregularidades em operações de crédito. A decisão, tomada em 2 de novembro e anunciada nesta terça-feira (3), atingiu uma instituição com cerca de 3 milhões de clientes e liderança no mercado de cartões de crédito.
A investigação começou em junho, quando a fiscalização identificou empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador do banco. O aprofundamento das análises revelou inconsistências na documentação financeira e operações que exigiram novas provisões contábeis. Segundo o Banco Central, os ajustes derrubaram o índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido pela legislação. As suspeitas de fraude estão sob investigação criminal, e o Ministério Público confirmou a detenção de dirigentes da instituição.
Com a intervenção, agências foram fechadas, cartões deixaram de funcionar e clientes perderam temporariamente o acesso aos recursos depositados. O impacto também alcança brasileiros que mantêm contas no Paraguai, incluindo moradores da região de Foz do Iguaçu que utilizam serviços bancários no país vizinho. Ainda não existe levantamento oficial sobre o número de brasileiros atingidos.
Para proteger os correntistas, o Fundo de Garantia de Depósitos assegura cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante, valor equivalente a 75 salários mínimos paraguaios. O Banco Central anunciou um pagamento inicial de até 10 milhões de guaranis, enquanto os valores restantes serão liberados conforme um calendário a ser divulgado. Depósitos superiores ao limite garantido dependerão dos resultados do processo de recuperação dos ativos da instituição.
A crise representa um dos episódios mais relevantes do sistema bancário paraguaio nos últimos anos e levanta questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização de instituições com crescimento acelerado. Apesar da gravidade, o Banco Central sustenta que o caso é isolado e não compromete a estabilidade do conjunto do sistema financeiro. Para milhões de clientes, entretanto, a preocupação imediata é saber quando poderão voltar a utilizar o próprio dinheiro.




