Lula denuncia falta de ônibus e pede votação até as 19h em meio a crise eleitoral

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu neste domingo (25) que a Justiça Eleitoral amplie o horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais, após denúncias de redução da frota de ônibus em diferentes cidades brasileiras. O petista também cobrou a responsabilização de prefeitos e empresários que eventualmente tenham dificultado o transporte dos eleitores.

 

A manifestação ocorreu durante uma conversa com jornalistas, quando Lula afirmou que problemas no transporte coletivo poderiam impedir milhares de cidadãos de chegar às urnas.

 

O presidente citou especialmente São Paulo e Salvador, duas das maiores capitais do país, onde a circulação de ônibus se tornou alvo de questionamentos judiciais.

 

Lula classificou a situação como inadmissível e afirmou que a população não pode perder o direito de votar por falhas na prestação de um serviço público essencial.

 

“O que eu quero pedir é que o povo não desista de votar”, declarou.

 

A campanha petista apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de prorrogação da votação até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.

 

Em São Paulo, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também solicitou à Justiça Eleitoral a ampliação do horário por duas horas.

 

Redução da frota provoca intervenção judicial

 

Na capital baiana, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato de toda a frota de ônibus, com frequência equivalente à dos dias úteis e transporte gratuito.

 

A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que se encontrava em Paris.

 

A Prefeitura de Salvador atribuiu parte dos problemas à retenção de aproximadamente 75 ônibus que apresentavam adesivos eleitorais de Lula. Posteriormente, informou ter determinado a liberação dos veículos e a normalização do serviço.

 

Em São Paulo, representantes da campanha petista denunciaram que apenas 60% da frota estaria em operação, apesar de decisão judicial que exigia a circulação integral dos ônibus.

 

A administração municipal afirmou que recebeu a determinação de ampliação da frota na véspera da eleição e que enfrentou dificuldades operacionais para reorganizar o serviço.

 

Lula cobra responsabilização dos prefeitos

 

Ao comentar os episódios, Lula afirmou que pretende cobrar providências contra administradores públicos e empresários caso sejam comprovadas ações destinadas a prejudicar o deslocamento dos eleitores.

 

As acusações de interferência deliberada no processo eleitoral ainda dependem de investigação. A existência de ônibus fora de circulação, isoladamente, não comprova intenção política de impedir votos.

 

A legislação eleitoral estabelece a obrigação de oferecer transporte coletivo gratuito nos dias de votação, com frequência compatível com a praticada nos dias úteis.

 

Decisão sobre prorrogação depende do TSE

 

O pedido apresentado pela campanha de Lula também prevê, como alternativa, a ampliação do horário pelo período correspondente ao eventual descumprimento das determinações judiciais sobre o transporte.

 

A coligação solicita ainda a manutenção da gratuidade após o encerramento da votação, para garantir o retorno dos eleitores às suas residências.

 

O horário nacional de votação permanece estabelecido entre 8h e 17h, no horário de Brasília, salvo decisão posterior da Justiça Eleitoral. Quem estiver na fila até o encerramento tem o direito de votar assegurado.

 

A controvérsia acrescenta um novo elemento de tensão ao segundo turno presidencial, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

 

Enquanto as campanhas aguardam uma definição da Justiça Eleitoral, a questão central permanece: garantir que os problemas no transporte coletivo não impeçam o exercício do direito ao voto.

 

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