Flávio levanta caso de imóvel milionário de Lulinha ligado a antigo dono do sítio de Atibaia

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a colocar os negócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no centro do confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o debate presidencial realizado pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23). Na reta final da campanha, ganhou repercussão a informação de que o filho do presidente declarou como endereço um apartamento de luxo em São Paulo, associado a um antigo proprietário do sítio de Atibaia.

O imóvel fica na Avenida Juriti, na Vila Uberabinha, região nobre da capital paulista, nas proximidades do Parque Ibirapuera. O endereço aparece em uma procuração apresentada por Lulinha no contexto das autorizações para abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

O detalhe que chama a atenção é a ligação do apartamento com o empresário Jonas Suassuna, antigo sócio de Lulinha na Gamecorp. Suassuna também figurou, ao lado de Fernando Bittar, como proprietário formal do sítio de Atibaia, propriedade que esteve no centro de uma das investigações mais conhecidas da Operação Lava Jato.

O apartamento citado tem valor estimado em torno de R$ 15 milhões. Anúncios de unidades no mesmo edifício apresentam preços entre R$ 10 milhões e R$ 16 milhões. A estimativa, entretanto, não corresponde a uma avaliação oficial individualizada do imóvel.

A ligação entre Lulinha, Suassuna e o apartamento não é recente. Em 2016, investigações da Polícia Federal examinaram as condições de ocupação do imóvel e despesas com reformas, móveis e equipamentos que teriam alcançado aproximadamente R$ 1,6 milhão.

Na época, os investigadores também analisaram pagamentos de aluguel e a possível existência de benefícios concedidos por terceiros. As suspeitas integraram apurações sobre relações empresariais e eventuais práticas de tráfico de influência, sem que esses elementos, isoladamente, comprovem a prática de crimes.

O novo capítulo ganhou relevância justamente quando Lula e Flávio Bolsonaro passaram a disputar publicamente a abertura de seus sigilos financeiros e telefônicos.

Na quinta-feira (22), as campanhas formalizaram perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizações envolvendo os candidatos e pessoas relacionadas a eles. O procedimento, contudo, ainda não havia resultado na divulgação integral dos dados financeiros.

O presidente Lula tem defendido que seu filho seja investigado pelas autoridades competentes. Lulinha, por sua vez, nega irregularidades e, por meio de sua defesa, manifestou disposição para colaborar com as apurações.

Há também um aspecto jurídico relevante. As condenações de Lula relacionadas ao sítio de Atibaia foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, após o reconhecimento da incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar os processos.

Até o momento, não há confirmação documental pública, nesta apuração, de que Jonas Suassuna continue sendo o proprietário do apartamento paulista. Tampouco a utilização do endereço em uma procuração demonstra, por si só, que Lulinha seja dono do imóvel ou tenha cometido alguma irregularidade.

Ainda assim, a reaparição de um endereço associado a um antigo parceiro empresarial do filho do presidente e ao histórico do sítio de Atibaia acrescentou um novo elemento ao embate político.

A questão central permanece sem esclarecimento definitivo: qual é a relação patrimonial atual de Lulinha com o apartamento e quem figura oficialmente como seu proprietário?

A resposta depende de documentação imobiliária atualizada e de informações financeiras verificáveis, não apenas das acusações apresentadas na campanha eleitoral.

Informações confrontadas com a petição eleitoral apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro, os registros públicos das decisões do STF, os requerimentos de abertura de sigilo e a apuração sobre o apartamento. A declaração específica atribuída a Flávio sobre os R$ 15 milhões não foi localizada em transcrição oficial do debate.

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