Episódio ocorreu durante o debate presidencial na Band neste domingo (18), a uma semana do segundo turno; ato foi presenciado por Deltan Dallagnol e expõe desgaste do ex-ministro após novo revés eleitoral
SÃO PAULO — A tensão da reta final da disputa presidencial transbordou para o contato físico nos bastidores da TV Bandeirantes na noite deste domingo (18). O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), figura central do projeto de poder petista, protagonizou um episódio de perda de compostura ao desferir um tapa no rosto do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP). A abordagem ocorreu pelas costas do jovem parlamentar, no momento em que este registrava a movimentação nos corredores do debate com um celular.
O gesto intempestivo de Haddad atingiu justamente um dos maiores fenômenos de votação do pleito de 4 de outubro. Enquanto Pavanato sagrou-se campeão de votos com a marca histórica de mais de 3 milhões de sufrágios, o ex-ministro amargou, na mesma data, uma derrota acachapante para o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), que superou a casa dos 60% dos votos válidos.
Espanto e ironia nos corredores
A ação de Haddad foi testemunhada a poucos passos pelo senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Segundo relato do ex-procurador, a cena causou tamanho espanto que ele sequer conseguiu esboçar reação imediata diante da atitude do petista.
Surpreendido pelo tapa vindo por trás, Pavanato reagiu com um sorriso irônico e questionou a agressão diante da câmera, demonstrando incredulidade com a postura de um ex-ministro de Estado. Na sequência, o deputado eleito retomou as críticas políticas que costumam incomodar o petista: referiu-se a Haddad pelo apelido de “Taxad” — em alusão à sanha arrecadatória de sua passagem pela Fazenda — e ironizou o currículo de fracassos nas urnas do adversário, ressaltando que o acúmulo de três derrotas eleitorais já lhe daria o direito de “pedir música no Fantástico”.
Eufemismos e tentativa de contenção de danos
À medida que as imagens do momento passaram a circular intensamente nas redes sociais, evidenciou-se o esforço de militantes do PT e de setores da imprensa simpáticos ao governo para suavizar o episódio. Enquanto apoiadores da oposição e eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) classificaram o ato diretamente como agressão e retrato do desequilíbrio emocional da cúpula petista, a narrativa governista buscou reduzir o ocorrido a um mero “contato físico” ou a “tapinhas no rosto” em resposta a provocações.
Até o fechamento das primeiras apurações sobre o caso, não havia registro de boletim de ocorrência policial. Ainda assim, o vídeo segue no centro do debate público a poucos dias da decisão do segundo turno, deixando registradas imagens que contrastam o discurso institucional do Partido dos Trabalhadores com a prática de seus principais quadros quando confrontados fora do roteiro oficial.




