Quem caminha pelas quadras arborizadas da Asa Sul e da Asa Norte no Distrito Federal depara-se com um fenômeno sociológico fascinante e, ao mesmo tempo, profundamente cínico. É a bolha da aristocracia pequena-burguesa brasiliense: burocratas de alto escalão, acadêmicos, consultores e servidores públicos federais que desfrutam de uma das melhores qualidades de vida do país — garantida, vale ressaltar, pela eficiência e pelas entregas do Governo do Distrito Federal (GDF) —, mas que insistem em flertar com a utopia socialista de palanque.
Lógico, caro leitor não são todos a “ficha tá caindo”, da mesma maneira que tenho capacidade de generalizar também tenho que especificar.
O resultado do primeiro turno das eleições escancarou essa realidade com precisão cirúrgica. Enquanto as regiões administrativas mais distantes e o Entorno votaram maciçamente em Celina Leão, a nata iluminada do Plano Piloto deu a Leandro Grass sua maior votação: impressionantes 46,8% na Asa Norte e 42,8% na Asa Sul.
A Esquerda de ar condicionado e o “Passador de Pano” Federal
É assustador assistir a essa parcela da classe média alta passar pano diário para o desgoverno federal na economia, na inflação e na deterioração da saúde pública, enquanto dispara críticas histéricas contra a gestão local. Vivem na redoma de vidro do Plano Piloto, com serviços públicos locais funcionando, segurança nas ruas e infraestrutura invejável, mas blindam ideologicamente um projeto federal que esmaga o poder de compra do trabalhador brasileiro.
A qualidade de vida de que esses pequenos burgueses gabam-se nas redes sociais não brotou do acaso; ela é fruto direto de investimentos estruturais consistentes realizados pelo GDF na região central.
O Plano Piloto apresenta perfil demográfico de alta escolaridade, renda elevada, forte presença de servidores públicos e população relativamente envelhecida. Dentro da região, a Asa Sul tende a ser mais envelhecida e de maior renda, enquanto a Asa Norte concentra moradores mais jovens e maior proporção de inquilinos – Talvez esse último explique tanta frustração.
A Intellectualidade decadente e a captura do discurso
Por trás desse voto em Leandro Grass no Plano Piloto está também a atuação de uma intelectualidade acadêmica decadente, ancorada em universidades e órgãos públicos federais. Trata-se de uma casta que acumulou privilégios, estabilidade financeira e status, mas que construiu um verniz pseudointelectual de “defesa dos oprimidos” — uma retórica cínica usada para legitimar seus próprios interesses corporativos e políticos.
Essa elite acadêmica e socialista utiliza-se de um discurso moralista para tentar pescar votos nas RAs mais distantes e no Entorno, tentando exportar uma visão ideológica que os próprios moradores das periferias já aprenderam a rejeitar nas urnas. Eles querem o bônus da benesse estatal brasiliense e o ônus da pose revolucionária, tudo isso enquanto criticam o governo que lhes varre a calçada, conserta o asfalto e mantém Brasília funcionando de pé.
A máscara caiu. O mapa eleitoral do Plano Piloto provou que a esquerda brasiliense é, antes de tudo, um exercício de vaidade burguesa totalmente desconectado da realidade material.
Por: Lucas Santana




