Gilmar Mendes ataca Fachin e Mendonça para conter danos

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O Supremo Tribunal Federal vive mais um capítulo dramático de sua crônica autofágica. Em manifestação que escancara as fissuras internas da mais alta Corte do país, o decano Gilmar Mendes disparou pesadas acusações contra dois de seus próprios pares: o presidente do tribunal, Edson Fachin, e o ministro André Mendonça. A ofensiva, formalizada em questão de ordem cujo teor veio a público nesta segunda-feira (28), surge no epicentro da tensão provocada pelas apurações envolvendo o caso Banco Master e a blindagem a Alexandre de Moraes.

No documento, Gilmar acusou Mendonça de atuar com “inequívoco viés político-eleitoral”. Na tese sustentada pelo decano, o magistrado teria calculado estrategicamente o calendário para determinar a elaboração e posterior publicidade de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. O objetivo, segundo Mendes, seria constranger o plenário da Corte às vésperas do pleito.

“Esta Corte não permitirá que o seu tempo seja fixado por quem manipulou o tempo da investigação”, disparou Gilmar, ignorando a ironia habitual de um Judiciário que, há anos, maneja o relógio de Brasília conforme as conveniências do momento. Para o decano, Mendonça já tinha ciência dos dados desde abril e aguardou deliberadamente para desferir o golpe em praça pública.

A mira do decano, contudo, também mirou o comando da Casa. Edson Fachin foi acusado formalmente de atropelar o regimento interno e a garantia do juiz natural ao assumir a relatoria de procedimentos sem a realização do obrigatório sorteio eletrônico. Alinhado às queixas trazidas pelo ministro Flávio Dino, Gilmar chegou a comparar a conduta do presidente da Corte ao extinto expediente da “avocatória” — mecanismo de matriz autoritária soterrado pela Constituição de 1988, que permitia à cúpula puxar para si qualquer processo.

Enquanto o Planalto assiste em silêncio confortável às movimentações de seus aliados togados, o Supremo se vê enredado em uma guerra aberta de versões. O embate revela que, por trás do verniz de defesa da liturgia e das instituições, a disputa real em Brasília continua sendo pelo controle das gavetas e pelo direito de escolher quem pode — ou não — ser investigado.

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