A mobilidade urbana e a falta de segurança determinam o acesso das mulheres brasileiras a oportunidades de emprego, estudo e lazer. Segundo a pesquisa “O Direito de Ir, Vir e Viver”, realizada pela Indique em parceria com a 99 e a Think Eva, 54% das entrevistadas já recusaram compromissos profissionais e 21% abandonaram cursos universitários devido às dificuldades de deslocamento diário.
O assédio nos transportes afeta 89% das passageiras, com os maiores índices registrados nos ônibus (68,8%) e nos trajetos a pé (60,8%). Para tentar mitigar esses riscos, as mulheres desenvolvem uma espécie de “inteligência urbana” constante, calculando rotas, iluminação, fluxo de pessoas e os perigos de violência antes de cada saída, o que gera um profundo desgaste mental.
As desigualdades de renda e as responsabilidades assimétricas com o trabalho de cuidado agravam o cenário, exigindo jornadas multimodais exaustivas pela cidade. Diante da desconfiança no transporte público, especialmente no período noturno, 80% das participantes recorrem regularmente aos carros por aplicativo em busca de maior proteção, liberdade e eficiência para completar a última etapa de suas viagens.



