O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra os clubes de futebol ao anunciar o fim das bets no Brasil. Em ato no Recife, Lula afirmou que os times terão de “arranjar outro jeito de ganhar dinheiro”. A declaração veio na mesma semana em que o governo decidiu abandonar o modelo de mercado regulado e partir para a proibição das apostas de quota fixa. A medida provisória assinada na sexta-feira, 25 de setembro, determina o encerramento das plataformas e também atinge contratos de publicidade e patrocínio.
A mudança chama atenção porque foi durante o atual governo que o Congresso aprovou e Lula sancionou, em 2023, a legislação que estruturou a regulamentação do setor. O mercado regulado começou a operar plenamente em 2025, com empresas pagando R$ 30 milhões por autorização. Segundo dados oficiais, foram concedidas 85 outorgas, que renderam R$ 2,55 bilhões. Agora, essas autorizações serão encerradas, e a MP estabelece que não haverá indenização por investimentos realizados ou expectativa de continuidade da atividade.
No futebol, o impacto está longe de ser apenas retórico. Os 20 clubes brasileiros de maior receita receberam cerca de R$ 1,14 bilhão das bets em 2025, montante equivalente a aproximadamente 36% de suas receitas de marketing. A retirada abrupta dessa fonte força dirigentes a renegociar contratos, buscar novos patrocinadores e eventualmente rever despesas já assumidas com base no ambiente regulatório então vigente.
Lula justifica a proibição pelo endividamento das famílias e pelos casos de ludopatia associados às apostas, argumento que sustenta a decisão do governo. Mas, para um setor que até ontem operava mediante licenças concedidas pelo próprio Estado, o recado presidencial foi curto: procurem outra fonte de receita. A discussão agora ultrapassa as bets e chega a um tema mais amplo — a previsibilidade das regras para empresas e instituições que celebraram contratos dentro de um mercado autorizado e regulamentado pelo poder público.




