O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A nova estimativa, divulgada nesta quinta-feira (24) no Relatório de Política Monetária, reforça a percepção de perda de ritmo da atividade econômica. Para 2027, a autoridade monetária projeta expansão ainda menor, de 1,4%.
A revisão ocorre apenas dois dias depois de o próprio Ministério da Fazenda diminuir sua previsão para o PIB deste ano, de 2,3% para 2%. Os dois diagnósticos apontam enfraquecimento principalmente na indústria e nos serviços, enquanto a agropecuária apresenta desempenho mais favorável. No relatório do BC, a projeção para a indústria caiu de 2,3% para 1,5%, e a dos serviços, de 1,9% para 1,7%. Já a agropecuária foi revisada de 1,7% para 2,8%.
O sinal mais sensível aparece no consumo. A estimativa de crescimento do consumo das famílias despencou de 2,1% para 1,2%, em um ambiente ainda marcado pelo custo elevado do crédito e pelos efeitos acumulados da política monetária restritiva. O PIB havia avançado 1,1% no primeiro trimestre, mas desacelerou para 0,5% no segundo trimestre de 2026, movimento que ajuda a explicar a revisão feita pela autoridade monetária.
O cenário ganha peso adicional porque o Banco Central mantém em 5,2% sua projeção para a inflação de 2026, acima do teto de 4,5% do sistema de metas. Assim, o país chega ao último trimestre do ano diante de uma combinação desconfortável: crescimento mais fraco e inflação ainda elevada, aumentando o desafio para a política econômica e para o cumprimento das metas fiscais.




