Faturas mostram Mendonça pagando alfaiataria no próprio cartão e enfraquecem suspeita sobre terno

Foto: STF
Foto: STF

Os documentos apresentados por André Mendonça acrescentam uma prova objetiva à versão do ministro do Supremo Tribunal Federal de que pagou pelas próprias roupas. Em uma das faturas anexadas, emitida em nome de “ANDRÉ L A MENDONÇA”, aparece a cobrança “ALEGRETE ALFA PARC 01/04”, no valor de R$ 4 mil. Na fatura seguinte surge nova parcela da mesma compra. A Alegrete é a empresa responsável pela alfaiataria onde o ministro encomendou as peças.

 

Antes dos extratos, Mendonça já havia apresentado duas notas fiscais que somam R$ 26.430, referentes a terno, blazers, camisas sob medida e outros itens. Os comprovantes do cartão completam parte importante da cadeia documental: reportagem publicada neste domingo registra R$ 4 mil na primeira fatura, outros R$ 4 mil na seguinte e uma cobrança adicional de R$ 3,3 mil. No ponto específico sobre quem desembolsou pelo vestuário, os documentos apresentados favorecem claramente a versão de Mendonça de pagamento com recursos próprios.

Os prints revelam ainda um padrão bem menos extravagante do que a narrativa de mordomias poderia sugerir. Há dois lançamentos da Latam identificados como “PARC 01/02”, ou seja, compras parceladas em duas vezes, além de uma despesa de agência de viagens registrada como “PARC 06/10”. Há, porém, um limite importante: a fatura permite afirmar que houve compras aéreas parceladas e uma despesa de viagem dividida em dez vezes; sozinha, ela não comprova que o voo tinha São Paulo como destino nem que a compra em dez parcelas correspondia a férias.

 

A documentação não encerra todas as controvérsias envolvendo o caso Banco Master — inclusive permanece separado o episódio de um pagamento de R$ 500 mil feito posteriormente por Daniel Vorcaro à mesma alfaiataria. Mas, sobre a suspeita concreta de que o terno de Mendonça teria sido bancado por terceiros, a sequência formada por notas fiscais e cobranças no cartão pessoal muda substancialmente o quadro: até aqui, a evidência documental conhecida aponta para o ministro pagando a própria conta.

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