Flávio Bolsonaro (PL) colocou a segurança pública no centro de sua campanha presidencial ao se reunir, neste domingo (30), em São Paulo, com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador e um dos principais executores da política de combate às gangues do governo Nayib Bukele. Após o encontro, o candidato afirmou que o Brasil tem condições de recuperar territórios dominados pelo crime organizado e sustentou que o principal ingrediente seria decisão política. “Basta ter um presidente da República que tenha a coragem de enfrentá-los”, declarou. A reunião também contou com Alfredo Gaspar, Sergio Moro, Guilherme Derrite e André do Prado.
O projeto apresentado por Flávio vai bem além do discurso. Seu programa prevê um Ministério da Segurança Pública independente da Justiça, integração de inteligência entre União, estados e municípios, cinco novos presídios federais de segurança máxima e a criação de aproximadamente 500 mil vagas no sistema penitenciário. Também estão na plataforma a redução da maioridade penal para 16 anos, tratamento mais rigoroso para adolescentes envolvidos em crimes graves e endurecimento das penas. O tamanho do desafio aparece nos próprios números oficiais brasileiros: ao fim de 2025, havia 727,3 mil pessoas em celas físicas e déficit de cerca de 222 mil vagas no sistema prisional.
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A referência escolhida por Flávio não é apenas retórica. El Salvador encerrou 2025 com taxa oficial de 1,3 homicídio por 100 mil habitantes e 82 assassinatos registrados no ano, números apresentados pelo governo salvadorenho como resultado da ofensiva iniciada por Bukele contra as pandillas. O modelo, contudo, permanece cercado por controvérsias: relatórios internacionais reconhecem a forte redução da violência, mas registram denúncias de prisões arbitrárias, restrições ao direito de defesa e problemas de devido processo durante o regime de exceção. A experiência salvadorenha, portanto, entrega resultados de segurança difíceis de ignorar, mas também impõe ao Brasil uma discussão jurídica que não cabe simplesmente dentro dos muros do Cecot.
Politicamente, Flávio tenta transformar essa agenda em uma diferença objetiva para o governo Lula: enquanto o Planalto mantém uma estratégia federal baseada em operações, inteligência, modernização penitenciária e programas de enfrentamento ao crime organizado, o candidato do PL aposta em encarceramento, penas mais longas, expansão de presídios e pressão direta sobre PCC e Comando Vermelho. Depois de levar o tema à Casa Branca e ao Departamento de Estado americano, o encontro com Villatoro deixa claro que segurança pública não será assunto lateral de sua campanha. Flávio quer que a eleição também responda a uma pergunta incômoda para Brasília: diante de facções cada vez mais ricas, armadas e territorializadas, o atual modelo de combate ao crime ainda é suficiente?




