A Volkswagen escolheu a tradicional Festa do Peão de Barretos, no interior paulista, para revelar mundialmente a sua mais nova aposta para o setor de mobilidade: a picape compacta Tukan.
Apresentado sem camuflagens no último dia 21 de agosto, o modelo chega com a dura missão de substituir a icônica Saveiro, que se despede das linhas de montagem no último trimestre de 2026, após mais de quatro décadas de história no mercado nacional.
A produção da nova caminhonete ocorrerá na fábrica de São José dos Pinhais, no estado do Paraná, com o início das vendas oficiais programado para o primeiro semestre de 2027.
O lançamento estratégico marca o início de uma forte ofensiva da montadora alemã para tentar desbancar a atual liderança da rival Fiat Strada, que domina o segmento de comerciais leves desde 2021 com uma margem de emplacamentos três vezes superior.
Inédita em sua concepção, a Tukan é a primeira picape da marca construída sobre a moderna plataforma modular MQB, a mesma estrutura tecnológica utilizada no utilitário T-Cross.
No entanto, a engenharia automotiva adotou soluções mecânicas específicas para lidar com o uso severo, substituindo o conjunto traseiro de molas helicoidais por um robusto eixo rígido com feixe de molas, visando maximizar a durabilidade e a capacidade de carga do veículo nas rotas de trabalho.
O mercado contará inicialmente com duas configurações distintas para atender a diferentes perfis de consumidores.
A versão Robust, equipada com cabine simples, rodas de aço e para-choques sem pintura, é focada inteiramente no transporte de carga e oferece uma caçamba de maior volume.
Já a configuração Extreme, com cabine dupla, aposta no lazer e no conforto dos passageiros, agregando sistema de iluminação em LED, rodas de liga leve e santantônio estilizado.
Embora os dados oficiais de motorização ainda não tenham sido abertos ao público pela fabricante, informações de bastidores da indústria apontam para uma linha diversificada de propulsores focados em eficiência energética.
A expectativa é que as versões de entrada voltadas para frotistas sejam equipadas com o tradicional motor 1.6 aspirado, enquanto as opções intermediárias recebam o moderno 1.0 TSI atrelado a um câmbio automático.
O grande destaque tecnológico deve ficar por conta da versão topo de linha, que tem previsão de abrigar o avançado motor 1.5 TSI Evo2, auxiliado por um sistema híbrido leve de 48 volts, alinhando-se às novas demandas por mobilidade sustentável.
Para garantir a confiabilidade da nova arquitetura, os protótipos do modelo rodaram mais de dois milhões de quilômetros em rigorosos testes de resistência estrutural antes da aprovação final para as rodovias.
O lançamento da picape Tukan não é um movimento isolado, mas sim uma peça fundamental dentro de um ambicioso plano de expansão da Volkswagen para a América do Sul, que injetará cerca de 3,7 bilhões de dólares na região até 2028, contemplando a chegada de vinte e um novos veículos.
O presidente executivo da Volkswagen América do Sul, Alexander Seitz, destacou durante a apresentação que a retomada da liderança geral de mercado passa obrigatoriamente por uma renovação no aquecido segmento de picapes, que hoje já responde por expressivos vinte por cento de todas as vendas de veículos no Brasil.
Projetada exclusivamente para as severas demandas logísticas e de infraestrutura sul-americanas, a nova Tukan não será exportada para os exigentes mercados da Europa ou dos Estados Unidos, embora a montadora não descarte uma futura introdução do modelo na África do Sul.




