A Braskem deu nesta segunda-feira, 24 de agosto, um dos passos mais duros de sua reestruturação financeira. O Conselho de Administração aprovou o ajuizamento de pedido de recuperação extrajudicial da petroquímica e de determinadas controladas para reorganizar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras quirografárias. O instrumento previsto na Lei nº 11.101/2005 permite negociar diretamente com credores e buscar posteriormente a homologação judicial do plano.
A medida tem alcance exclusivamente financeiro. Segundo a própria companhia, obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros permanecem fora do processo e devem continuar sendo cumpridas normalmente. Na prática, a Braskem tenta ganhar espaço jurídico para reorganizar uma dívida bilionária depois de meses de negociações com credores e de uma proteção temporária contra execuções, sem transformar o processo em uma recuperação judicial convencional.
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O aperto financeiro da maior petroquímica brasileira é resultado de uma combinação particularmente pesada: elevado endividamento, passivos em moeda estrangeira, margens pressionadas pelo ciclo internacional da indústria e os efeitos financeiros relacionados ao desastre geológico de Maceió. A crise também alcançou a operação mexicana, onde a Braskem Idesa recorreu ao Chapter 11 nos Estados Unidos para reestruturar aproximadamente US$ 920 milhões em compromissos.
O movimento ocorre mesmo depois de a Braskem apresentar melhora em seus resultados operacionais e registrar lucro no segundo trimestre de 2026. O problema, portanto, deixou de ser apenas produzir resultado e passou a ser encontrar uma estrutura de capital capaz de sustentá-lo. Com a recuperação extrajudicial, a companhia compra tempo para negociar; o teste decisivo começa agora, quando credores terão de decidir quanto prazo, garantia e dinheiro ainda estão dispostos a conceder para manter de pé uma gigante que carrega US$ 10,9 bilhões na mesa de negociação.




