Um jantar realizado em 4 de agosto, na residência do ministro Alexandre de Moraes, colocou o Supremo Tribunal Federal novamente no centro de uma controvérsia política. O encontro reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de Moraes e Cristiano Zanin. A reunião, que não constou das agendas oficiais, foi inicialmente apresentada nos bastidores como uma tentativa de reconstruir a relação entre Lula e Alcolumbre após a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF.
A controvérsia ganhou outro tamanho neste domingo (23). Informação publicada pelo colunista Lauro Jardim aponta que teria chegado ao gabinete de André Mendonça o relato de que seu nome também foi discutido no jantar e que teria havido conversa sobre maneiras de “fragilizar” o ministro. Não há, até o momento, documento público, gravação ou confirmação independente que comprove esse trecho da conversa, razão pela qual a informação deve ser tratada como relato de bastidor, e não como fato definitivamente estabelecido. Até a noite deste domingo, os principais envolvidos não haviam apresentado manifestação pública específica sobre a alegação.
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O contexto ajuda a explicar por que a revelação provoca ruído institucional. Mendonça é relator de procedimentos de grande repercussão: no caso Banco Master, conduz investigações sobre suspeitas de fraudes bilionárias no sistema financeiro; na Operação Sem Desconto, já autorizou prisões, buscas e quebras de sigilo em apurações sobre descontos fraudulentos contra aposentados do INSS. No próprio dia 4 de agosto, horas antes do jantar, o STF divulgou nova decisão do ministro autorizando buscas em mais uma fase da investigação do INSS.
A ausência de uma pauta pública transforma o jantar em um problema que vai além da fotografia política. Ministros do Supremo podem manter interlocução institucional com integrantes dos demais Poderes, mas a notícia de que um magistrado responsável por investigações sensíveis teria sido discutido em uma reunião reservada envolvendo o presidente da República e o presidente do Senado exige esclarecimentos. Por enquanto, há um encontro confirmado e uma alegação ainda não comprovada sobre seu conteúdo. Em Brasília, às vezes o silêncio à mesa produz mais barulho que o próprio jantar.




