Malabarismo fiscal: Durigan recorre a imprecisões para blindar gastos de Lula

Foto: Agência Brasil
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A arte de moldar a realidade aos interesses da Esplanada dos Ministérios ganhou um novo expoente. Ao tentar defender os rumos da economia federal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, vem recorrendo a uma série de imprecisões e omissões estatísticas para sustentar a narrativa de equilíbrio fiscal da gestão Luiz Inácio Lula da Silva. Em declarações recentes detalhadas pelo Poder360, o chefe da pasta econômica apresentou versões convenientes sobre o controle da inflação, o comportamento da dívida pública e o famigerado déficit zero — ignorando dados consolidados e manobras contábeis.

Da burocracia paulistana à Esplanada

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), Dario Carnevalli Durigan, de 42 anos, construiu sua trajetória nos bastidores do poder e no alinhamento com a cúpula petista. Ex-advogado da União, passou pela Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil durante a gestão Dilma Rousseff e atuou como assessor especial de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

Após uma passagem pela iniciativa privada como diretor de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, Durigan retornou a Brasília em 2023 como secretário-executivo da Fazenda — conhecido como o “CEO” do ministério. Com a desincompatibilização de Haddad para o calendário eleitoral, assumiu o comando da pasta com a missão de manter de pé a retórica de responsabilidade fiscal sem fechar a torneira de gastos do Planalto.

No entanto, essa longa vivência nos gabinetes climatizados do poder central reforça um distanciamento crônico da realidade vivida pela população e pelo próprio Distrito Federal. Enquanto Brasília convive com os impactos da pesada carga tributária e das constantes investidas federais sobre fundos constitucionais e recursos regionais, a Fazenda segue operando sob a lógica de que qualquer descompasso econômico se resolve com malabarismos retóricos e ampliação de arrecadação às custas do contribuinte.

As contas que não fecham na prática

Nas falas públicas de Durigan, o otimismo beira a ficção quando confrontado com os relatórios do Banco Central e dos analistas de mercado:

  • O “Déficit Zero” das exceções: O ministro sustenta que o governo zerou o déficit primário, omitindo que o resultado só parece equilibrado porque diversos gastos obrigatórios foram excluídos das metas por meio de créditos extraordinários e flexibilizações contábeis. Em 2023, o rombo foi de R$ 265 bilhões, seguido por saldos negativos em 2024 e 2025 que só couberam no papel graças a artifícios de despesa.
  • A culpa é sempre dos outros: Ao justificar as pressões inflacionárias, o discurso oficial busca abrigo em choques externos e na cotação internacional do petróleo, ignorando a pressão interna provocada pela expansão contínua de despesas públicas e pela deterioração das expectativas do mercado.
  • Trajetória da dívida: O ministro afirma que o endividamento recuou recentemente, esquecendo de mencionar que a dívida bruta, após cair no fim de 2022 para 71,7% do PIB, voltou a subir na atual gestão e segue pressionando as taxas de juros no país.

Ao priorizar a conveniência política sobre o rigor técnico, a equipe econômica insiste em vender estabilidade onde os números insistem em apontar descompasso. Resta ao cidadão pagar a conta de um orçamento que, na retórica ministerial, sempre parece perfeito.

 

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