Justiça Eleitoral afirma que sistema não foi invadido: filiação que retirou senador do PL foi realizada com acesso pertencente ao próprio Missão; Nunes Marques determinou investigação
A tentativa de registrar Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência ganhou um componente ainda mais grave nesta quinta-feira (13). O Tribunal Superior Eleitoral descartou oficialmente a hipótese de ataque hacker e informou que a inclusão do senador no Partido Missão ocorreu mediante uso indevido da ferramenta de filiação por alguém que possuía credenciais da própria legenda para efetivar filiações. A alteração, registrada na noite de 12 de agosto, retirou Flávio do PL no cadastro da Justiça Eleitoral e travou temporariamente o registro de sua candidatura.
O caso foi descoberto quando a defesa reunia a documentação necessária para formalizar a candidatura. Inicialmente, a equipe jurídica chegou a considerar uma possível invasão ao sistema, mas essa hipótese foi afastada pelo TSE. A advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que é “inequívoco que foi fraudulento”. O PL pediu imediatamente o cancelamento da filiação ao Missão e o restabelecimento do vínculo partidário anterior. O pedido está sob análise da Justiça Eleitoral, a apenas dois dias do encerramento, em 15 de agosto, do prazo para registro das candidaturas.
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A resposta do TSE desloca o centro da investigação. Se não houve invasão externa, a apuração agora terá de identificar quem utilizou uma credencial autorizada do Missão e como esse acesso foi empregado para alterar a filiação de um candidato presidencial. O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para adoção das providências cabíveis e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. O próprio Missão afirma que também foi vítima da fraude, sustenta que tentou cancelar a filiação e promete entregar às autoridades registros de acesso, e-mails e endereços de IP.
A mudança torna especialmente relevante a identificação de quem estava por trás das credenciais usadas. Segundo a certidão eleitoral, Flávio estava filiado ao PL desde 8 de dezembro de 2021 e passou a aparecer vinculado ao Missão em 12 de agosto de 2026. A campanha classifica o episódio como fraude e “molecagem”, enquanto o Missão nega participação deliberada e diz ter alertado anteriormente sobre uma tentativa irregular de filiação. Com duas versões que concordam quanto à existência de uma irregularidade, mas ainda sem autoria definida, caberá à investigação responder à pergunta central: quem teve acesso às credenciais do Missão e decidiu utilizá-las para mexer na filiação de Flávio às vésperas do registro presidencial?




