Registro é de abril de 2023, durante o feriado de Tiradentes, quando não havia acusação ligando a confraternização ao atual esquema investigado no INSS
Uma fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) colocou sob os holofotes uma confraternização realizada em abril de 2023 no Rancho Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. Na imagem aparecem Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara, Alexandre Ramagem (PL-RJ), Juscelino Filho (PSDB-MA), Elmar Nascimento (União-BA), Paulo Azi (União-BA) e o próprio Weverton. No centro está o advogado Willer Tomaz, que atualmente aparece nas apurações relacionadas aos desdobramentos da Operação Sem Desconto.
O encontro ocorreu no fim de semana do feriado de Tiradentes, e a fotografia está registrada no celular de Weverton com a data de 23 de abril de 2023. A confraternização tinha também caráter familiar: esposas de alguns dos políticos participavam da programação e integravam o grupo de WhatsApp utilizado na organização da viagem. O detalhe é fundamental para estabelecer a cronologia do episódio: naquele momento não havia acusação pública relacionando aquela reunião, os parlamentares fotografados ou a confraternização ao esquema de descontos indevidos do INSS que seria investigado posteriormente.
Leia também no DFMOBILIDADE
- PF indicia 48 no escândalo do INSS, mas Lulinha fica fora da primeira lista
- Investigação da PF cita mesadas e passagens de Lulinha e “Careca do INSS”
- Relatório final da CPMI do INSS pede prisão preventiva do filho de Lula
- Mendonça cobra dados de amiga de Lulinha no caso do escândalo do INSS
- STF autoriza quebra de sigilos de filho de Lula em investigação sobre fraudes no INSS
- Nova operação da PF expõe rombo bilionário no INSS e mira entidades suspeitas
A fotografia ganhou novo significado apenas com o avanço das investigações. A PF apura atualmente suspeitas envolvendo a relação financeira entre Willer Tomaz e Weverton Rocha dentro de uma investigação mais ampla sobre descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A Operação Sem Desconto investiga, entre outras hipóteses criminais, organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação patrimonial. Weverton e Tomaz negam irregularidades.
A existência da foto, portanto, não comprova participação dos parlamentares fotografados em qualquer fraude contra aposentados. Ela documenta uma relação social e política existente em 2023, cerca de dois anos antes de a Operação Sem Desconto ganhar dimensão nacional. O que interessa agora aos investigadores é saber se essas relações permaneceram apenas no campo pessoal ou se produziram alguma conexão relevante para os fatos sob apuração — questão que dependerá de provas, movimentações financeiras e demais elementos reunidos pela Polícia Federal.




